Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador educação. Mostrar todas as postagens
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
Os primeiros dias de volta às aulas
Ah, as férias
escolares! Mas elas acabam e as famílias precisam “entrar nos eixos”
novamente... A volta às aulas vem muitas vezes acompanhada de chororô. Para
gerenciar esse período de transição na sua família, confira dicas reorganizar a
rotina familiar e escolar.
Em casa, os pais devem...
1) Acordar as crianças mais cedo, para que possam se adequar
novamente à rotina escolar. Quando necessário, ser um pouco mais rígido, sim. O
importante é readaptá-los às atividades diárias, pois a criança precisa ter
certeza de que suas férias acabaram.
2) Conversar bastante com a criança, procurando mostrar o
quanto é bacana voltar às aulas. Falar, por exemplo, sobre as novidades que
estão sendo produzidas na escola, o reencontro com os colegas e todos os pontos
que a criança mais gosta.
3) Verificar se o material escolar está em ordem e ver se há
algum tipo de tarefa para o retorno. Fazer isso junto com os filhos enquanto
relembra as coisas legais que eles produziram ao longo do semestre anterior
para que eles entrem no clima de volta às aulas.
4) De segunda à sexta, preferir comidas saudáveis. Já nos
finais de semana, deixá-los mais à vontade em suas escolhas. “A alimentação
deve acompanhar a rotina da criança”, diz Gabriele Berton Cunha Bueno,
especialista em nutrição clínica infantil.
5) Permitir que as crianças tirem uma soneca depois do
período escolar. Porque as atividades propostas em sala de aula são realmente
cansativas, e é mais do que natural que o relógio biológico delas demore um
pouquinho para se reajustar.
6) Valorizar o convívio familiar. Esteja por perto, dê
atenção às crianças e mostre que você está ao lado deles.
7) Manter a rotina de mudanças estabelecida em julho.
Processos não devem ser interrompidos. Se durante as férias, a criança estava
deixando a chupeta ou as fraldas, ela deve continuar com essa transição
naturalmente.
8) Informar à escola sobre possíveis mudanças que ocorreram
nas férias na vida das crianças, como uma doença, separação, desemprego ou até
a chegada de um irmãozinho. Isso poderá interferir no comportamento e no
rendimento escolar.
9) Fazer um balanço do semestre anterior. Seu filho (e você)
deu conta de fazer natação, judô, inglês e ainda as lições de casa? As notas
foram mais baixas que o comum e ele se mostrou cansado? É hora de rever a
rotina da família para que os próximos meses sejam proveitosos e que haja tempo
livre para brincar.
10) Se a criança fizer birra, seja firme, mas carinhoso. O
importante é explicar que é natural sentir preguiça, ao mesmo tempo mostrando o
lado gostoso, de reencontrar os colegas e acompanhar as atividades propostas. A
ausência da criança no primeiro dia de aula só deve ser justificada por conta
de doença ou uma viagem que a família só conseguiu fazer naquela data.
Na escola, os professores devem...
1) Criar atividades agradáveis e prazerosas - algo que possa
ter continuidade em casa, junto dos pais.
2) Preestabelecer atividades para o dia seguinte. Isso
transmite a ideia de continuidade e, deste modo, as crianças ficam estimuladas
a voltar para a sala de aula.
3) Pedir para os alunos trazerem um jogo ou uma foto daquilo
que fizeram nas férias, assim, sentirão vontade de contar as novidades para os
colegas.
4) Preferir alimentos que tenham mais aceitação entre eles.
“Como, por exemplo, um pãozinho francês com queijo, que costuma agradar a todos
os paladares”, diz a nutricionista Gabriele.
5) Voltar à dinâmica das aulas aos poucos, para dar a
sensação de segurança à criança.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
12 dicas para passar pela adaptação sem traumas (nem para as mães, nem para os filhos)
Se o seu filho vai passar por adaptação escolar, seja pela primeira vez
ou em uma nova instituição, quanto antes trabalhar isso, melhor – para ele e
para você. Afinal, não dá para negar que é um momento delicado para toda a
família. A criança, de repente, se vê no meio de pessoas estranhas e novas
regras com as quais precisa conviver e os pais mal conseguem conter o pavor de
imaginar seu “tesouro” sendo entregue aos cuidados dos educadores. A fase da
preparação você já passou: pesquisou bastante, visitou diversas instituições e
está seguro de sua escolha. No entanto, agora chegou a hora pra valer! Veja a
seguir doze dicas para você e seu filho lidarem com a adaptação da melhor
maneira possível.
![]() |
| Clara no seu primeiro dia de aula, em 28/03/2011, com a tia Jô |
A PRIMEIRA VEZ
1) Um pedacinho de casa
Primeiro dia no berçário. Não dá para dizer que,
porque seu filho não fala, a adaptação será mais fácil. Até completar 9 meses,
o bebê guarda as informações na mente por meio de registros emocionais – e uma
experiência que não seja tranquila pode fazer com que ele tema a escola por
muito tempo. Para evitar problemas, você precisa estar disponível para passar
essa fase ao lado dele.
Levar itens que tenham o cheiro do quarto dele, por
exemplo, também vai confortá-lo: pode ser a naninha ou o brinquedo do berço. Só
não se esqueça de manter atenção especial ao comportamento do seu filho. Como
ele não fala, você precisa perceber se está se alimentando e dormindo bem,
brincando normalmente ou se está com doenças respiratórias. Esses são
indicadores de que algo não vai bem. Caso isso aconteça, visite a escola para
ver se estão mantendo a rotina e converse com a coordenação.
2) Envolva seu filho
Para a criança que precisará encarar a rotina de
aulas pela primeira vez, uma boa maneira de introduzir o assunto é dizer que
ela está crescendo e que, por isso, precisa de um espaço para brincar com
outras crianças e aprender coisas novas. Levá-la para comprar os materiais
escolares ajuda a prepará-la de uma forma estimulante. Para não ficar caro, dê
oportunidades de escolha, como “este ou aquele lápis?” ou “qual mochila entre
essas três é a melhor?”.
É preciso, porém, sensibilidade para perceber se
essa participação está se transformando em ansiedade. Evite tocar muito no
assunto e perguntar se ele já está preparado muito antes da hora. Se possível,
leve-o para conhecer o colégio quando estiver mais perto do primeiro dia de
aula.
3) Se prometer, cumpra
A semana de adaptação das crianças que nunca foram à
escola é muito parecida na maioria delas. Os pais levam seus filhos por
pequenos períodos de tempo, que ficam maiores conforme eles vão se acostumando
com a ideia de estarem longe da família. Durante esse processo, é fundamental
que a criança se sinta segura e perceba que está no meio de pessoas dignas de
sua confiança. Mentir ou sair de fininho pode dificultar as coisas. Se você
disser que estará esperando no pátio, faça exatamente isso. Os pais que não
podem se ausentar do trabalho devem explicar ao chefe que estão passando por um
momento delicado e pode ser que precisem sair às pressas em uma emergência.
4) Mantenha o equilíbrio entre aconchego e firmeza
Prepare-se, porque as primeiras semanas de adaptação
deixarão a criança mais sensível. A mudança traz insegurança, medo, frustração,
irritação, muitas vezes traduzidos pelo choro. Embora seja difícil ver tudo
isso acontecer, pense que aprender a lidar com essas emoções é uma etapa
importante do desenvolvimento. Blindar seu filho disso só o deixará frágil.
Quando o choro aparecer, o melhor é reforçar que a escola é importante, que
você sabe que ele está sofrendo, mas acredita que ele vai conseguir superar. É
difícil para a criança e para você, mas é necessário firmeza. Sem esquecer que
ela precisará muito do seu colo e da sua paciência. Afinal, momentos de
separação nunca são fáceis. Foi isso que ajudou a assistente comercial Hanã
Carreiro, 25 anos, quando a filha Izabelly, 3, foi para a escola pela primeira
vez. Ela tinha 1 ano e meio e chorava muito, mesmo na semana de adaptação, com
a mãe junto. Hanã chegou a levá-la dia sim, dia não para ver se a filha se
acostumava aos poucos. Mas o que funcionou mesmo foi ter muita paciência e
conversar com ela todos os dias, valorizando a escola. “No dia anterior sempre
conversava e explicava que o papai ia buscá-la no fim da aula. Também procurei
mostrar que ir para a escola era legal, com brincadeiras e novos amigos”,
lembra.
5) Rotina adaptada
Ao começar a vida escolar, o dia a dia da criança
muda completamente. Por isso, alguns ajustes podem ser necessários para que ela
se adapte de forma mais tranquila. Quando a auxiliar de cabeleireiro Cintia
Santos de Souza, 27 anos, colocou o filho Luiz Paulo, 3, na escola, passou por
dias difíceis. Na época com 2 anos, o menino chorava a ponto de se jogar no
chão toda vez que chegava lá, não aceitava ficar na sala e não comia.
Então, a professora ligou para Cintia e propôs uma
mudança na rotina de Luiz, pois ele dormia e acordava tarde, ficando sem tempo
para ir com calma para a escola. A mãe começou a fazer atividades com ele de
manhã, depois, era hora de uma soneca, banho, almoço e, então, a ida para o
colégio. “No primeiro dia que fiz isso ele já não chorou tanto e, quando
cheguei pra buscá-lo, a professora disse que ele era outra criança. Depois de
uma semana, não chorava nem chamava por mim”, lembra.
MUDANÇA DE ESCOLA
6) Mundo novo
Se o seu filho entrou com poucos meses no berçário,
a mudança de colégio é como se fosse a primeira vez. Nesse caso, siga também
todas as dicas dadas anteriormente. Para aquelas crianças que já estão
adaptadas ao ambiente escolar, mas vão enfrentar uma “mudança de ares”, o
processo costuma ser mais simples, mas isso não quer dizer que elas não
precisem de atenção. A separação dos amigos, dos professores e até da sala de
aula antiga costuma ser dolorosa e a integração a um novo grupo, muitas vezes
já formado, é um desafio. Nesse caso, mais do que disponibilidade física, seu
filho precisará de ajuda emocional.
Deixe claro para ele que o contato com os amigos
antigos pode ser mantido. E ressalte, de forma positiva, que ele está tendo a
oportunidade de ampliar sua rede de amizades e aprender coisas novas. Não se
esqueça de perguntar como foi o dia na escola nova e o que você pode fazer para
ajudá-lo a se integrar melhor.
7) Este é meu filho!
A adaptação com os professores também é fundamental,
principalmente para que eles conheçam detalhes de saúde e comportamento do seu
filho que só você pode contar, como o que ele tem mais resistência para comer,
quais são seus medos e dificuldades.
Também é interessante pensar em formas de seu filho
se apresentar aos colegas para facilitar o entrosamento, como aconteceu com
Júlia Gravinan, 3 anos, que é muito tímida. Quando a família precisou mudar de
Belém (PA) para São Paulo, a maior preocupação era a dificuldade de
relacionamento que ela teria. Então, escola e mãe se uniram. Na primeira semana
de aula, Júlia levou uma muda de açaí para que as outras crianças conhecessem
algo típico da região de onde veio. Além disso, para que perdesse a timidez nas
rodas de conversa, a família foi orientada a guardar lembranças do fim de semana
para que Júlia pudesse compartilhar com os amigos. “Se íamos ao cinema, ela
levava o ingresso para contar sobre o filme. Se viajávamos para a praia, levava
uma conchinha. Em pouco tempo, estava mais falante”, relembra a mãe, a
publicitária Roberta Gravinan, 35 anos.
8) Como vai ser?
Você pode contar para a criança o que ela vai
encontrar lá na frente. Explique o que aprenderá durante o ano e, se possível,
antecipe a turma com que seu filho vai conviver, apresentando alguns alunos
antes mesmo de as aulas começarem – converse com a escola e proponha que ela
ajude. Foi o que aconteceu com Lucas, 3 anos. Três meses antes de mudar de
Chapecó (SC) para Botucatu (SP), a professora teve uma ótima ideia, como conta
o pai Marcos Panhoza, 36. “O colégio de Chapecó fez uma aula só sobre Botucatu,
mostrando para os alunos tudo o que a cidade tinha de interessante. Também
pediram que a escola nova mandasse uma foto daquela que seria a nova sala do
Lucas.” Assim, o menino já chegou mais enturmado e a adaptação ocorreu de forma
tranquila.
A SUA PREPARAÇÃO
9) Não deixe a tristeza pegar você de surpresa
Talvez você sinta a dor da separação mais do que seu
filho e isso vai causar tristeza. Por isso, esteja preparado para lidar com
esse sentimento ou, pelo menos, aceitá-lo, como fez a advogada Priscila
Westphal, 31 anos. Quando levou José Augusto, 2, à escola pela primeira vez,
não se conteve na hora em que precisou deixá-lo chorando com a professora.
“Desmoronei. Fui para a recepção e veio tanta culpa e dor que meu choro se
tornou compulsivo.”
Foi só quando a professora disse que o menino se
acalmou no instante em que a mãe virou as costas que ela parou para refletir:
“Como assim ele está bem sem mim? Passei dois anos achando que era
imprescindível na vida dele. Depois lembrei que estou criando um filho para o
mundo e ‘para o mundo’ é, muitas vezes, longe de mim. É a escola da vida, né?
Deixar ir e aproveitar o voltar!”, opina Priscila.
Por mais que você se prepare, talvez não esteja
pronto quando chegar o momento. Mas vale tentar: antes do começo das aulas,
deixe seu filho brincar com outras pessoas ou, se possível, leve-o para a casa
da avó ou da tia e vá fazer algo de que goste. Assim, vocês dois vão treinando
ficar longe um do outro.
10) Segurança na chegada
Despedir-se do filho na entrada da escola é um dos
momentos mais difíceis na vida de uma mãe ou um pai. Se o filho vai para o
berçário com poucos meses, a aflição é por deixar alguém tão pequeno e indefeso
nos braços de um “estranho”. Se a criança já é um pouco maior, pode ser difícil
por estar mais acostumada a ficar em casa ou porque parte o coração dos pais
ouvir: “Não quero ir pra escola, quero ficar com você”. Sabemos que é uma
missão difícil, mas, nessa hora, estufe o peito, não deixe que ela perceba a
sua angústia e estimule que se sinta confiante e independente.
Caso o seu filho ainda não ande, passe-o para o colo
da professora com um beijo, mas sem muita enrolação, pois o bebê também sente a
sua insegurança. Se ele já for maior, incentive-o a entrar na escola caminhando
e levando a própria mochila. Agora, se é você que não consegue se controlar na
hora do adeus, considere pedir para que outra pessoa leve seu filho para a escola
durante alguns dias. Com o tempo, você estará mais tranquilo e poderá assumir a
função outra vez.
11) Procure distrações
Será que ele está bem? Está comendo direito? A
professora vai ajudá-lo quando ele precisar? Passar o dia pensando nessas
questões só vai deixá-lo com rugas de preocupação. Por isso, procure manter a
cabeça ocupada no período em que ficará sozinho. Que tal aproveitar para marcar
um almoço com aquele amigo que você não vê faz tempo? Se estiver difícil de
lidar com a angústia, procure conversar com outros pais que já passaram por
isso. Eles podem transmitir conforto.
12) Faça parte da turma
Não é somente o seu filho que precisará passar por
adaptação. Você também terá uma fase de integração com os novos pais e
professores – e é importante estabelecer esse vínculo logo no início. Participe
das atividades propostas pelo colégio, procure ir aos eventos sociais, como
aniversários dos colegas, organize com outros pais piqueniques ou passeios,
como uma ida ao teatro. Lidar com as diferenças e ressaltar a importância do
convívio social são boas maneiras de dar o exemplo. E estabelecer esse contato
é uma forma de incentivá-lo ainda mais a se abrir para novas amizades.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Filhos, uma escola de amor.
Enquanto o vídeo, tão prometido, sobre minha experiência com o método natural não fica pronto, quero compartilhar com vocês o lindo testemunho de uma família querida e exemplar. Esse testemunho foi escrito por Renato Varges, responsável pelo blog "Vida sem Dúvida - Bioética à luz da verdade", que merece ser acompanhado diariamente, pois traz um material muito rico e essencial à favor da Vida.
Eis o testemunho:
Renato, Luciana, Teresa, Laura, Tomé e Francisco, vocês são muito especiais para nossa família e seu testemunho de amor e servidão ao Senhor nos aproximam dEle a cada dia mais. Shalom! AE!
Eis o testemunho:
No dia 07 de maio de 2013, meu quarto filho foi concebido. Poucos dias depois veio a confirmação da gravidez e naturalmente a notícia foi se espalhando.Algumas pessoas como minha mãe e amigos próximos ficaram imensamente felizes e já foram logo dando palpite sobre o sexo do bebê. Outras pessoas já sorriram só com o canto da boca, respiraram fundo e deram uns parabéns amarelado ou por pura educação. Outras sequer conseguiram disfarçar seus pensamentos e teceram comentários divididos por categoria, os irônicos diziam: “vocês são animados hein!” ou “vocês não tem TV em casa?”; os pseudo-entusiastas: “vocês são guerreiros!” ou “nossa, que coragem!”; os calculistas: “mais um? meu Deus!” ou “quem vai pagar suas contas?” ou “vocês planejaram isso?” ou “já marcaram a laqueadura de trompas?”; e por fim os dramáticos: “foi um acidente?” ou “como vocês vão viver?” .Comentários à parte, estamos imensamente felizes com a chegada do caçula da vez. No entanto, a decisão de escrever esse artigo é fruto do desejo de fazer uma pequena partilha do que vivo como pai e defensor da cultura da vida e expressar um pouco algo que me incomoda muito na cultura que vivemos atualmente.Ah sim, você pode perguntar “E o que isso tem a ver com bioética?” Respondo: ABSOLUTAMENTE TUDO!!! Pois a bioética não pode ficar presa nos livros, conceitos e teorias, mas para defende-la e exercê-la com autoridade, é preciso antes de tudo acreditar nela na nossa própria vida.Ao observar a postura de certos casais diante da realidade dos filhos, tenho me perguntado: Por que alguns casais estão convencidos de que os filhos são verdadeiros estraga prazeres da vida conjugal? De onde vem esta mentalidade de que os filhos diminuem a qualidade de vida do casal? Por que existe tanto espaço para a cultura materialista que só consegue enxergar os filhos como potenciais consumidores, gastadores e devoradores de salário? Por que alguns pais querem dar aos filhos um padrão de vida que não possuem como se isso fosse a fórmula do sucesso pessoal e familiar? Por que as pessoas tem tanto pavor do trabalho que as crianças dão em casa, enquanto se matam no trabalho para cumprir metas e conseguir promoções? Por que o cansaço e as exigências com a educação dos filhos são tão rejeitados? Por que as mulheres valorizam tanto o trabalho fora de casa como se educar um filho em casa não fosse um serviço tão ou mais nobre à sociedade quanto qualquer outro trabalho?Passaria horas aqui somente escrevendo perguntas do tipo, mas esse não é meu objetivo, como também não é responde-las ou levantar um debate sobre cada um dos temas, isso daria um livro o qual eu não tenho competência para escrever.Gostaria simplesmente de tentar descrever porque considero os filhos um dom preciosíssimo de Deus e uma verdadeira escola de amor. Nossos planos como casal nunca foram baseados no conforto, nem nas férias inesquecíveis na Disney, nem na casa dos sonhos, mas sempre foram baseados no papel que estávamos assumindo diante de Deus e da Igreja, ou seja, o compromisso de ser uma família. Não tenho nada contra as férias (aliás estou precisando das minhas), nem contra a Disney (dizem que é muito divertido), mas os que se casam confiando unicamente em planos materiais e só tomam decisões com a segurança da conta corrente não estão preparados para construir uma família que ama a Deus acima de todas as coisas e provavelmente não terão a fé como seu maior valor. Se você nunca pensou nisso ou simplesmente nem leva isso em consideração, sinceramente você tem meu respeito, mas, por experiência própria, posso garantir que o matrimônio como um empreendimento meramente humano perde uma dimensão que considero essencial.Recordo quando descobrimos a gravidez do nosso 3º filho, uma pessoa chegou para mim e disse: “Ih… agora vocês se danaram. Saiba que o mundo foi feito pra quem tem no máximo dois filhos!” Eu estava um pouco destemperado no momento e respondi sem medir muito as palavras, mas expressando o que se passava no fundo do meu coração: – “E quem disse que nós geramos filhos pensando neste mundo minha senhora?”. Ela arregalou os olhos e viu que eu tinha me ofendido, mas fui obrigado a continuar, especialmente porque eu sabia que ela já havia criticado um outro casal amigo. Eu concluí dizendo: – “Uma família católica gera filhos para povoar o Céu e não nossas cidades, queremos gerá-los para a eternidade, pois é lá que desejamos encontrá-los um dia, a herança que temos para deixar para nossos filhos é a fé, o amor de Deus e a santidade, todo resto é consequência. O bem estar que ofereço é aquele que Divina Providência nos conceder” … Pelo silêncio acho que ela acabou entendendo. Mas é exatamente isso!Um casal que rejeita o dom dos filhos ou se fecha irreversivelmente a essa possibilidade está invertendo em absoluto a razão de ser do matrimônio, do ato conjugal e do propósito de estarem unidos por um sacramento. Não estou aqui fazendo apologia à mera quantidade de filhos. Ninguém pode me acusar disso. Sobre esse assunto, o que digo é que existem quatro critérios que devemos adotar quando pensamos em ter filhos: 1. A confiança na vontade de Deus e na Divina Providência deve ser maior que nossos fundos de investimentos. 2. A quantidade de filhos não se calcula pela quantidade dos que já temos, mas pela generosidade com os que ainda podemos ter. 3. O próximo filho será ainda mais exigente, portanto, nos fará crescer ainda mais na partilha e no amor. 4. O melhor presente que posso dar aos meus filhos é o próximo irmão.Ou seja, não é simplesmente uma questão ter muitos filhos, mas ter o máximo que o casal puder. Quanto mais filhos um casal tiver, mais experimentarão da Providência de Deus. Não estou fazendo apologia à irresponsabilidade, mas à generosidade.Os filhos só terão sentido na vida de um casal e assim contribuir para a santidade da família se eles forem entendidos e acolhidos como dons de Deus e não como intrusos, vilões ou saqueadores de seu cheque especial. Você pode estar ai dizendo que isso é um exagero ou que eu vivo fora da realidade. Nada disso! Há momentos, não poucos, em que temos a impressão que os filhos exigem mais do que podemos dar, humana e financeiramente, ou que a educação que damos vai parar em qualquer outro lugar que não seja a cabecinha da criança. Isso tira qualquer um do sério, mas não justifica a rejeição dos filhos, nem a substituição do nosso papel na sua educação, muito menos achar que tudo que fizemos até hoje de nada valeu. Ultimamente, quando estou muito cansado e me pego rejeitando dar atenção ou calculando quanto amor vou dar a um filho, penso em três coisas, exatamente nessa ordem: 1. Como São José agiria nesse momento? 2. Nas crianças abortadas que não tiveram a chance de nascer. 3. Nas famílias que estão na fila da adoção na esperança de ter pelo menos um filho em casa. Pode parecer um pouco ingênuo, mas pelo menos funciona.Há duas coisas que vem junto com os filhos. Uma é inversa e outra diretamente proporcional à sua quantidade. O tempo livre será sempre inversamente proporcional e o cansaço sempre diretamente proporcional à quantidade de filhos. Isso não tem escapatória! Quanto ao tempo, não tem jeito, se não tivessem os filhos, seria ocupado com outra coisa, talvez até menos nobre.Nunca considero o tempo que passo com meus filhos uma perda, nem fico ponderando mentalmente o que eu poderia estar fazendo caso não estivesse ali com eles, pois isso seria uma espécie de traição e talvez diminuísse minha alegria de estar com eles. Não adianta, educação não se terceiriza e quem cai nessa cilada, muito cedo paga o preço. Educar os filhos exige muito mais esforço que os mais árduos trabalhos profissionais. Talvez por isso alguns preferem, consciente ou inconscientemente, distrair os filhos do que educá-los. Outros talvez tenham medo de colocar limites claros e dar punições para não perder a amizade dos filhos. Mas a realidade da boa educação exige exatamente o contrário. Meus filhos ainda são pequenos, ainda me idolatram como qualquer criança, mas tenho certeza que seria muito mais fácil eu perder a amizade futura dos meus filhos por não tê-los deixado aprender com as quedas do que pela liberdade que dei para aprenderem a caminhar com suas próprias pernas e entender que crescer e amadurecer dói. Educar é penoso e por vezes vergonhoso porque mostra muito mais os limites dos pais do que as capacidades dos filhos. Por isso, ao invés de fugir desta sadia responsabilidade, devemos abraça-la ainda com mais dedicação.Quanto ao cansaço, esse é uma marca do sofrimento físico de quem ama. Um corpo sem as marcas do sofrimento, das exigências de quem se doa ao outro é um corpo que reflete muito mais o que faço para mim do que o que faço pelos outros. O corpo de quem ama é esculpido pelo amor e não pelas academias, por isso, nossos melhores “personal trainers” são nossos filhos. Um corpo que se desgasta por amor é um corpo sarado sim, mas sarado no sentido de ser curado a todo instante de um possível egoísmo ou fechamento aos outros.Sempre confesso meu cansaço ao cuidar das crianças, mas ajudar nas tarefas de casa, dar as refeições, conviver com meus filhos, poder sorrir com eles, ouvir suas palhaçadas, consolar as dores das suas quedas, fingir que eles são engraçados, dar atenção, corrigir seus erros, tirar as dúvidas brincar, contar histórias, escovar os dentes, brigar, cantar e rezar com eles é um grande presente de Deus.Concluo dizendo que só sabe educar quem decide amar. Definitivamente, amar não é uma emoção agradável, nem um sentimento gostoso, como descer numa montanha russa. Amor é uma decisão séria e comprometida que envolve em primeiro lugar a felicidade do outro e não a minha. Amar é um sim mútuo entre dois imperfeitos que se escolhem. Amar é decidir-se por fazer o que é melhor pelo outro ainda que isso custe o meu tempo, meus planos, meu sono, minha beleza, minhas últimas energias. Com alegria digo que Deus não me deu o dom da vida para ser retido, afinal, o que guardamos demais acaba perdendo a validade e apodrecendo. Nunca o cansativo cuidado com os meus filhos aliviou tanto meu cansaço.Por fim, posso dizer, não se descansa apenas dormindo. Descansa-se acima de tudo amando e servindo aos outros. Quando se ama de verdade, até o sono é uma forma de amar, pois o repouso nos fará servir melhor aos outros ao despertar. Por essas e outras razões, posso afirmar que os filhos são uma escola de amor!
Renato, Luciana, Teresa, Laura, Tomé e Francisco, vocês são muito especiais para nossa família e seu testemunho de amor e servidão ao Senhor nos aproximam dEle a cada dia mais. Shalom! AE!
![]() |
| Nessa foto, três famílias que aceitaram o desafio de cumprirem a Vontade de Deus |
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Saúde ou Educação?
Questão:
Você tem filhos, mas não tem plano de saúde e eles estudam em escola pública. Se você tiver a oportunidade de dar uma coisa ou outra aos seus filhos, o que você escolheria? Saúde ou Educação?
Por favor, comente e coloque seus motivos (a mãe humana aqui agradece ;) )
Você tem filhos, mas não tem plano de saúde e eles estudam em escola pública. Se você tiver a oportunidade de dar uma coisa ou outra aos seus filhos, o que você escolheria? Saúde ou Educação?
Por favor, comente e coloque seus motivos (a mãe humana aqui agradece ;) )
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
Tenho uma filha que gosta de rezar!
Palavras do meu marido no dia de hoje:
"Clara sempre me surpreende. Hoje, íamos de bicicleta a caminho do colégio, me tomou o terço das mãos e disse que ia rezar. À meia voz, foi desfiando as contas, rezando as ave-marias, enquanto o caminho prosseguia. Ao fim de dez ave-marias, perguntou:
- Papai o que faço agora?
- Glória ao Pai...
- E depois?
- Ó meu Jesus...
- E para qual santo rezo?
- Ah!, minha filha, tem o Padre Pio, a Santa Terezinha...
- Vou rezar para Santa Clara que tem o meu nome!
Seguiram-se mais dez ave-marias. Glória ao Pai. Ó meu Jesus...
- Papai, está chegando no colégio, de noite a gente termina de rezar...
- Tudo bem, filha.
Ela já tinha rezado dois mistérios. Me beijou e prossegui para o trabalho, quase não conseguindo disfarçar meu sorriso abobado.
Tenho uma filha que gosta de rezar."
sábado, 3 de agosto de 2013
O que NÃO dizer às crianças
Os pais são os exemplos dos filhos e suas atitudes podem ter um impacto positivo ou negativo na formação da personalidade e identidade social da criança.
Por isso, de acordo com o pediatra Marcelo Reibscheid, do Hospital e
Maternidade São Luiz, em São Paulo, existem algumas coisas que jamais
devem ser ditas às crianças ou faladas na frente delas. Veja quais são:
1 – Não rotule seu filho de pestinha, chato, lerdo ou outro adjetivo agressivo, mesmo que de brincadeira. Isso fará com que ele se torne realmente isso.
2 – Não diga apenas sim. Os nãos e porquês fazem parte da relação de amizade que os pais querem construir com os filhos.
3 – Não pergunte à criança se ela quer fazer uma atividade obrigatória ou ir a um evento indispensável. Diga apenas que agora é a hora de fazer.
4 – Não mande a criança parar de chorar. Se for o caso, pergunte o motivo do choro ou apenas peça que mantenha a calma, ensinando assim a lidar com suas emoções.
5 – Não diga que a injeção não vai doer, porque você sabe que vai doer. A menos que seja gotinha, diga que será rápido ou apenas uma picadinha, mas não engane.
6 – Não diga palavrões. Seu filho vai repetir as palavras de baixo calão que ouvir.
7 – Não ria do erro da criança. Fazer piada com mau comportamento ou erros na troca de letras pode inibir o desenvolvimento saudável.
8 – Não diga mentiras. Todos os comportamentos dos pais são aprendidos pelos filhos e servem de espelho.
9 – Não diga que foi apenas um pesadelo e mande voltar para a cama. As crianças têm dificuldade de separar o mundo real do imaginário. Quando acontecer um sonho ruim, acalme seu filho e leve-o para a cama, fazendo companhia até dormir.
10 – Nunca diga que vai embora se não for obedecido. Ameaças e chantagens nunca são saudáveis.
1 – Não rotule seu filho de pestinha, chato, lerdo ou outro adjetivo agressivo, mesmo que de brincadeira. Isso fará com que ele se torne realmente isso.
2 – Não diga apenas sim. Os nãos e porquês fazem parte da relação de amizade que os pais querem construir com os filhos.
3 – Não pergunte à criança se ela quer fazer uma atividade obrigatória ou ir a um evento indispensável. Diga apenas que agora é a hora de fazer.
4 – Não mande a criança parar de chorar. Se for o caso, pergunte o motivo do choro ou apenas peça que mantenha a calma, ensinando assim a lidar com suas emoções.
5 – Não diga que a injeção não vai doer, porque você sabe que vai doer. A menos que seja gotinha, diga que será rápido ou apenas uma picadinha, mas não engane.
6 – Não diga palavrões. Seu filho vai repetir as palavras de baixo calão que ouvir.
7 – Não ria do erro da criança. Fazer piada com mau comportamento ou erros na troca de letras pode inibir o desenvolvimento saudável.
8 – Não diga mentiras. Todos os comportamentos dos pais são aprendidos pelos filhos e servem de espelho.
9 – Não diga que foi apenas um pesadelo e mande voltar para a cama. As crianças têm dificuldade de separar o mundo real do imaginário. Quando acontecer um sonho ruim, acalme seu filho e leve-o para a cama, fazendo companhia até dormir.
10 – Nunca diga que vai embora se não for obedecido. Ameaças e chantagens nunca são saudáveis.
Fonte: itodas
domingo, 16 de junho de 2013
Dica de Leitura: Bisa Bia, Bisa Bel
Quando eu era bem pequena tive uma bisavó muito presente. Era minha verdadeira amiga, fazia roupinhas para minhas bonecas, deixava eu raspar a bacia da massa do bolo, me enchia de carinhos e elogios. Era minha Bibi.
Certo dia, quando eu tinha por volta de 8 anos, depois de uma lindo domingo em família, o Senhor resolveu atender o pedido de Bibi e 'levá-la' para Seu convívio depois de um dia feliz e dormindo - esse era pedido recorrente em seus terços diários (aprendi a rezar o santo terço com ela inclusive). Desde então senti muito sua falta. E demorei a aceitar o fato de sua partida.
Na escola, não me recordo bem o ano, enquanto ainda sofria com a ausência de Bibi, foi-se aplicado o livro "Bisa Bia, Bisa Bel" de Ana Maria Machado, que conta a história da relação de uma menina chamada Isabel com sua bisavó
Bia que conheceu em um retrato de quando ela era pequena. De cara me identifiquei com o livro.
Ana Maria Machado conta que escreveu esse
livro pela saudade que sentia das avós e queria contar sobre elas para
os filhos. Não imaginou que fosse fazer tanto sucesso, chegando a ser
considerado um dos dez mais importantes livros infantis do Brasil. Sua narrativa lúdica traz as diferenças
nos objetos e costumes vividos por diferentes gerações e as marcas que
nossas relações amorosas deixam na nossa personalidade.
Se você ainda não o leu, leia! Apesar de ser considerado um livro infantil, mexe muito com nossas lembranças e nos faz repensar muito do que queremos deixar como herança para nossos filhos. Esse é um daqueles livros que não basta pegá-lo na biblioteca, é preciso tê-lo em casa para que nós, nossos filhos e, um dia, nossos netos o leiam e releiam sempre.
![]() |
| primeira página do livro |
![]() |
| casamento dos meus pais em 1981 - na foto com meus bisavós - a Bibi a que me refiro é a de óculos |
sábado, 8 de junho de 2013
Como ser mãe em uma época em que impera a lei do menor esforço?
Texto de Daniele Brito*
Não tenho a obrigação de ficar calada. Ninguém tem a obrigação de concordar. Nasce a polêmica.
Quem me acompanha, mas quem me acompanha mesmo a ponto de me conhecer minimamente, sabe que não gosto de estar envolvida em assuntos polêmicos, que geralmente entram em combustão com argumentos muito rasos para sustentar uma ideia, uma opinião. Não tenho tempo nem estômago para administrar isso.
Muita gente deve ter uma ideia equivocada sobre mim pelo fato de eu escrever sobre maternidade e postar muitas coisas relacionadas a isso na fan page do blog. Devem me achar uma super mãe, aquela que está acima do bem e do mal, que certamente não reclama de nada e que vive eternamente feliz.
Não gosto desse rótulo e muito menos o reivindiquei pra mim.
Quem me acompanha, mas quem me acompanha mesmo a ponto de me conhecer minimamente, sabe que sou uma mãe em transformação, ou melhor, uma pessoa em transformação. Escrevo mais sobre meus erros que sobre meus acertos. Escrevo ainda sobre as coisas que descubro, que me fazem entrar numa catarse sofrida e me modificam. Como mãe e como ser humano.
Fui mãe pela primeira vez em 2003. Não tínhamos redes sociais e as informações estavam todas compiladinhas em portais www. Ainda assim, procurei me cercar de uma quantidade gigantesca de informação. Fiz minhas escolhas baseadas não só nessas, mas em vivências familiares.
Como mãe, fui eu quem decidiu o parto. Desconhecia o termo violência obstétrica, achei injustas as intervenções no primeiro parto (natural), o descaso dos profissionais de saúde que me cercavam, mas nunca me ocorreu que nós – a sociedade – teríamos argumentos e força para lutar contra um modelo obstétrico em vigor há pelo menos um século. Chorei ao saber da episiotomia, mas ingenuamente, achei que fizesse parte do pacote. E contra aquilo não me voltei.
Como mãe, fui eu quem decidiu não perseverar na amamentação dos dois filhos! Quem me vê defendendo ferrenhamente a amamentação prolongada acha que amamento meus filhos até hoje! A mais velha mamou até os quatro meses, quando acabou minha licença-maternidade. Ouvindo conselhos do pediatra e de posse de informações equivocadas em revistas, julguei ter feito a minha parte. “Mamou o suficiente”, dizia. O segundo, querendo amamentar até os dois anos ou mais, com leite suficiente pra isso, fui mal orientada por um profissional da saúde. Meu filho tinha refluxo e eu, hiperlactação. Ele não conseguia mamar e eu chorava. O pediatra deu o diagnóstico: manha. E eu sucumbi ao fracasso. Tendo refluxo, nenhum outro leite seria bom pra ele como o meu.
Até bem pouco tempo – pouquíssimo tempo, aliás – tinha o maior preconceito contra a amamentação prolongada. Não sabia que era possível amamentar durante a gestação, muito menos que mulheres eram capazes de nutrir dois filhos em idades diversas. Meu desconhecimento me levou a falar muita besteira.
Como mãe, fui eu quem optou pela combo chupeta + mamadeira, reproduzindo um padrão de vivência familiar. Eu usei. Todos os meus irmãos usaram. Ninguém morreu, veja que beleza!
Como mãe, fui eu quem optou por comidas prontas que facilitariam a vida doméstica. Diminuiriam meu cansaço e sobraria mais tempo pra mim e para minha filha. Com o segundo, a coisa foi diferente. Só não sabia que seria possível revolucionar geral com a comida servida a todos nessa casa. Mudança de hábitos, consumo consciente.
Como mãe, usei de recursos que aprendi ainda na infância, como gritar e dar palmadas para dar limites e mostrar a minha autoridade de mãe, por medo de ser permissiva e omissa. Só não sabia que, com isso, estava apenas ensinando o descontrole e a falta de assertividade em resolver as querelas domésticas. Desconhecia o poder da disciplina positiva.
Essas são as minhas escolhas. Não é porque as fiz que elas estão certas.
É muito cômodo escolher o caminho fácil quando não temos informação ou quando elas nos chegam de forma parcial. E, naquela época, eu queria me cercar de facilidades.
O que estava por trás de todas essas minhas escolhas? Aprendi a me fazer essa pergunta.
Existe mesmo livre escolha?
O mercado, através de suas peças publicitárias, nos bombardeia com mensagens que nos mostram que não somos capazes, que não conseguiremos dar conta. Que precisamos de um auxílio, de um produto que facilite nossas vidas. Pode ser de bisturi a macarrão instantâneo.
Encarar o meu papel de forma consciente exige um esforço contínuo. Procuro me cercar de informação não pasteurizada, que não queira me agradar, mas que me confronte com meus próprios medos, com minhas fraquezas.
Confirmar os vínculos com meus filhos exige de mim compromisso. Mudar, quebrar paradigmas pode significar sofrimento, MAS também pode ser um antídoto, um alento. Finalmente, sair da caverna é penoso, mas é libertador.
* * * * *
Hoje, num desabafo, contei algo que vem acontecendo na casa da minha vizinha. Não nos conhecemos. Nem mesmo sei o seu nome. Coisas da vida moderna.
Sua bebê nasceu no começo do ano e só sei que é uma menina, pois vejo no varal roupinhas cor de rosa. Desde então, ouço seus choros e sua mãe falando em tatibitati. Bate aquela nostalgia! Como é bom bebê novinho em casa!
Um dia publiquei na fan page que, quando a bebê chorava prolongadamente, eu colocava a mão na parede e dizia mentalmente “Calma, amiga. Vai passar. É só uma fase.” De lá pra cá, tenho ouvido muitos gritos. Descontrolados. Altos.
Conversando com meu marido, disse que estava com pena dela. Relembramos juntos vários momentos difíceis e recordamos do tempo que achávamos que isso nunca teria um fim. Até então, não sabia que os gritos eram direcionados à bebê. Imaginei que ela gritasse com as paredes, com o marido, com a babá.
Pontualmente, a bebê acorda às 00:30. Suponho que seja para mamar. Outro dia, então, não só ouvi os gritos, como pude discernir o que exatamente aquela mãe estava falando. Mandou a bebê – que não deve ter seis meses – calar a boca várias vezes. Mandou parar de manha. Uma adulta mandando uma bebê parar de manha.
E foi isso que me deixou triste, que me fez perder o sono. Muita gente mostrou preocupação com a mãe, que deve sim estar passando por um momento difícil, que deve, inclusive, estar com depressão pós-parto. Que seja. Afinal, sabemos que amor não se impõe nem se decreta. Se constrói. Mas na hora, naquele momento, só consegui me preocupar com a criança. E se os gritos forem acompanhados de outras formas de violência? Liguei as pecinhas e deduzi (veja bem) que há tempos essa bebezinha recebe ordens para se calar, para lidar sozinha com sua natural imaturidade. A mãe é adulta e dispõe de vários recursos para procurar ajuda, mas quais recursos a bebê possui?
Na minha fofoca matinal, escrevi algo sobre não estarmos preparados emocionalmente para ter filhos: as pessoas querem um filho, mas NÃO querem passar pelo processo. Querem um filho, mas não querem um parto. Optam pela cesárea. Querem um filho, mas não querem amamentar. Optam pelo leite artificial. Querem um filho, mas não querem cuidar. Contratam uma babá (que durma no quarto, inclusive). Querem um filho, mas não querem trabalho na hora de alimentá-lo. Optam pela comida industrializada. E ainda reclamam.
De fato, não gosto desse coitadismo materno. Somos da geração do menor esforço, do prazer instantâneo (como o macarrão), do prazer individual. Não queremos problemas, queremos resultados. A coletividade nos assusta. O outro não interessa. Agimos como eternos garotos mimados, num ciclo aparentemente inquebrantável da infantilização da vida adulta.
“Sentir-se ofendido é uma forma de negação que nossa cultura impôs com grande êxito”, como bem salienta Sergio Sinay.
A maternidade não pode ser vista como satisfação imediata de prazeres só porque a fantasiamos como um simples exercício de manipulação de um painel de controle.
Queremos as facilidades.
Dizem, entre sorrisos e músicas alegres nos comerciais da TV, que não precisamos de regras para criarmos nossos filhos. Como se isso pudesse ser de alguma forma libertador.
De fato, não precisamos de regras.
Precisamos de compromisso, responsabilidade, cumplicidade e ética.
*Daniele tem 32 anos e é estudante de Direito, mãe da Bia, de 9 anos, e do Otto, de 4, mora em Florianópolis/ SC e é autora do blog Balzaca Materna.
Fonte: Infância Livre do Consumismo
Assinar:
Postagens (Atom)









