quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Os melhores filmes para serem vistos em família


Esta é minha primeira postagem para o Mãe Humana. Sou o Sérgio, O Camponês, esposo da Janine, dona do pedaço. Há cerca de duas semanas, organizei uma lista de Livros que nenhum cristão pode deixar de ler. Como aqui em casa temos feito algumas 'sessões de cinema' , a Janine solicitou a alguns amigos nas redes sociais dicas de filmes para se ver em família. Pegando o gancho de minha pesquisa, resolvemos elaborar esta lista que agora estamos apresentando. Com a preciosa colaboração dos amigos do camponês e da mãe humana. Curtam e aproveitem as dicas!


TOP 5 (ou 6!)
O Mágico de Oz – 5 votos
As Crônicas de Nárnia – 5 votos
A Fantástica Fábrica de Chocolate – 4 votos
Meu Malvado Favorito – 4 votos
Esqueceram de Mim – 4 votos
Mary Poppins – 4 votos




ALINE AVELINO
Up! Altas aventuras - Pete Docter
Frozen - Chris Buck / Jennifer Lee
Toy Story - Lee Unkrich
Meu malvado favorito - Chris Renaud
Enrolados - Nathan Greno, Byron Howard

ARYELLA GUIMARÃES
Escola de rock - Richard Linklater
O menino e o mundo - Alê Abreu
Malévola - Robert Stromberg
Uma viagem extraordinária - Jean-Pierre Jeunet
Como treinar seu dragao - Chris Sanders

PADRE BRUNO
A Noviça Rebelde - Robert Wise
Mary Poppins - Robert Stevenson
A História Sem Fim - Wolfgang Petersen
Os Incríveis - Brad Bird
Kung Fu Panda 1 e 2 - Mark Osborne / John Stevenson
Jesus - A História do Nascimento - Catherine Hardwicke

CLARA MEIRELLES DE SOUZA (primogênita dO Camponês e da Mãe Humana)
O Mágico de Oz - Victor Flemming
A fantástica fabrica de chocolate - Tim Burton
Esqueceram de mim - John Hughes
O Príncipe do Egito - Brenda Chapman, Simon Wells e Steve Hickner
Labirinto, A Magia do Tempo - Jim Henson

DIONISIUS AMÊNDOLA
Toy Story (todos) - Lee Unkrich
Onde Vivem os Monstros - Spike Jonze
De Volta Para o Futuro (a trilogia) - Robert Zemeckis
Sonhos - Kurosawa
O Homem Sem Face - Mel Gibson

FABIOLA GOULART
Os Batutinhas - Penelope Spheeris
Um tira no jardim de infância - Ivan Reitman
Escola de Rock - Richard Linklater
Esqueceram de mim - John  Hughes

FRANCISCO ESCORSIM
O Hobbit (a trilogia) - Peter Jackson
Olhe Quem Está Falando... Também - Amy Heckerling
Esqueceram de Mim - John  Hughes
Os Incríveis - Brad Bird
Ratatouille - Brad Bird, Jim Pinkar
Up! Altas Aventuras - Pete Docter

Comentários:
O Hobbit (a trilogia): dispensa comentários;
Olhe Quem Está Falando... Também: é o segundo filme da série (nem sei se tem mais), que pode ser assistido sem saber do primeiro. Indico por conta do que muda na família com a chegada de um novo filho e o processo de amor/ódio dos irmãos mais velhos. O final, ao som de Jealous Guy, arranca-me lágrimas até hoje;
Esqueceram de Mim: diversão pura. Filme que retrata bem a dinâmica de famílias numerosas, com a luta por espaço entre os filhos, a busca por um senso de identidade, as dificuldades de relacionamento entre irmãos, o desejo de se ter alguma privacidade e exclusividade, seguida da solidão do egoísmo de quando se "conquista" isso, e por aí vai;
            Os Incríveis: se os filmes com atores indico mais para os filhos, as animações da Pixar indico mais aos pais. "Dizer que todo mundo é especial é a mesma coisa que dizer que ninguém é.", fala do filho, Flecha. Dispensa comentários;
Ratatouille: uma fábula sobre vocação. Dou aula usando esse filme. Das melhores coisas feitas pela Pixar.
P.s.: menção honrosa a "Up", da Pixar, por aqueles primeiros 10, 15 minutos do filme. Comovente, e genial.

JANINE DE SOUZA (MÃE HUMANA)
Desventuras em série - Brad Silberling
O Jardim Secreto - AgnieszkaHolland
Labirinto, a magia do tempo - Jim Henson
E.T., o extraterrestre - Steven Spielberg
As Crônicas de Nárnia (O leão, a feiticeira e o guarda-roupas) - Andrew Adamson
A Fantástica Fábrica de Chocolate – Mel Stuart
A História sem fim - Wolfgang Petersen
Procurando Nemo - Andrew Stanton
Os Croods - Kirk DeMicco, Chris Sanders
Os batutinhas - Penelope Spheeris

KAROL LONTRA
Os Goonies - Richard Donner
De volta para o futuro - Robert Zemeckis
12 é demais - Shawn Levy
Curtindo a vida adoidado - John Hughes
Gigantes de aço - Shawn Levy
Wall-e - Andrew Stanton

LORENA FERRO
O Rei Leão - Roger Allers e Rob Minkoff
 A Felicidade Não se Compra - Frank Capra
O Cão e a Raposa - Ted Berman,Richard Rich
Mary Poppins - Robert Stevenson
As Crônicas de Nárnia - Andrew Adamson

LORENA MIRANDA CUTLAK
O Jardim Secreto - AgnieszkaHolland
O Mágico de Oz – Victor Flemming
Fantástica Fábrica de Chocolate – Mel Stuart
Marcelino Pão e Vinho - LadislaoVajda
Corcunda de NotreDame – Gary Trousdale
O Rei Leão - Roger Allers e Rob Minkoff

Comentários:
Tirando os clássicos -- O Jardim Secreto, O Mágico de Oz, A Fantástica Fábrica de Chocolate (a versão antiga; a recente, com o Johnny Depp, é ridícula!) -- consegui pensar em mais um filme adulto que é interessante para ver com as crianças: Marcelino Pão e Vinho. Você conhece? É um dos filmes mais lindos que já vi na vida.
Dos da Disney, O Corcunda de NotreDame e O Rei Leão podem render boas conversas com os pequenos, inclusive por terem sido baseados em obras literárias adultas.

MARCELO AMORIM MONTEIRO
Procurando Nemo - Andrew Stanton
Os Incríveis - Brad Bird
O Pequeno Nicolau - Laurent Tirard
As Crônicas de Nárnia - Andrew Adamson
O Senhor dos Anéis - Peter Jackson
Meu malvado favorito - Chris Renaud
Monstros S.A. - Pete Docter, Lee Unkrich, David Silverman
Matilda - Danny DeVito

MARCIA BORGES ALVES
A volta do Todo Poderoso - Tom Shadyac
Um sonho possível - John Lee Hancock
As aventuras de Pi - Ang Lee
Ritmos diferentes – (diretor desconhecido)
 Dom Bosco - Lodovico Gasparini
Um sorriso tão grande quanto a lua - James Steven Sadwith
Madagascar - Eric Darnell e Tom McGrath
A era do gelo - Carlos Saldanha, Chris Wedge
De volta a ilha da imaginação - Brendan Maher
As peripécias de um ratinho detetive - Ron Clements, Burny Mattinson
A bela adormecida - Clyde Geronimi
Garfield - Peter Hewitt
A princesa e o sapo - Ron Clements e John Musker

Comentário:
            Muitos filmes tem lindas mensagens até pra nós adultos, porém temos q ter mente aberta e capacidade para olhar a vida como els é. Não podemos esconder a realidade dos nossos filhos. Mas uma boa orientação é muito importante. Gosto de filmes , eles me ajudam a meditar. Alguns é só divertimento , mas sempre há uma lição.

MARTIM VASQUES DA CUNHA
Trilogia Indiana Jonas - Steven Spielberg
Superman I & II - Richard Donner & Richard Lester
Trilogia Star Wars - George Lucas
 Hatari - Howard Hawks
Cantando na Chuva - Gene Kelly & Stanley Donen
 Curtindo a Vida Adoidado - John Hughes
O enigma da pirâmide - Barry Levinson

MÔNICA BORGES ALVES COIMBRA
Tá chovendo Hambúrguer - Chris Miller, Phil Lord
Up! Altas aventuras - Pete Docter

MONICA OHNSTEIN EHRLICH
Mary Poppins - Robert Stevenson
O  mágico de oz - Victor Flemming
Fantasia (Disney) - Norman Ferguson, Wilfred Jackson, Hamilton Luske

PAULO CRUZ
A Festa de Babette - Gabriel Axel
Peixe Grande - Tim Burton
Miss Potter - Chris Noonan
Historia Sem Fim - Wolfgang Petersen
As Crônicas de Nárnia - O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas - Andrew Adamson

PRISCILA FRANÇA
Os croods - Kirk DeMicco, Chris Sanders
Madagascar - Eric Darnell e Tom McGrath

ROBERTO MALLET
Alain Cavalier – Thérèse (1986)
Mario Monicelli - O Incrível Exército de Brancaleone (1966)
Jacques Tati – As Férias do sr.Hulot (1953)
Rob Reiner – Conta Comigo (1986)
A Prairie Home Companion (A Última Noite) (2006)

RODRIGO SIMONSEM
O Mágico de Oz - Victor Flemming
A Felicidade Não Se Compra - Frank Capra
A Fantástica Fábrica de Chocolate - Mel Stuart
Mary Poppins - Robert Stevenson
Meu Vizinho Totoro - Hayao Miyazaki

SAMIRA GUZZO
Meu Malvado Favorito – Pierre Coffin, Chris Renaud
Esqueceram de mim – John  Hughes

SERGIO DE SOUZA (O CAMPONES)
Fantasia (Disney) -  Joe Grant
O Mágico de Oz - Victor Feming
O Príncipe do Egito - Brenda Chapman, Simon Wells e Steve Hickner
E.T., o extra-terrestre - Steven Spielberg
Labirinto, a magia do tempo - Jim Henson
A Felicidade não se compra - Frank Capra
Ratatouille - Brad Bird, Jim Pinkar
Procurando Nemo - Andrew Stanton
Tempos Modernos - Charlie Chaplin (do mesmo diretor “O garoto”, “Luzes da ribalta”)

THIAGO ARAUJO DE SOUZA
E.T., o extra-terrestre – Steven Spielberg
Os Goonies – Richard Donner
Gremlins – Joe Dante
Meu Malvado Favorito – Pierre Coffin, Chris Renaud
Curtindo a Vida Adoidado - John Hughes

THOMAS GIULLIANO FERREIRA DOS SANTOS
A Vida é Bela - Roberto Benigni
Pequeno Milagre - Mark Steven Johnson
O Rei Leão (Todos) - Roger Allers e Rob Minkoff
Star Wars (Todos) - George Lucas, Francis Ford Coppola, Steven Spielberg, Martin Scorsese e Brian de Palma
O Senhor dos Anéis (Trilogia) - Peter Jackson
Jack - Francis Ford Coppola
As Crônicas de Nárnia - Andrew Adamson


Somos todos Coelhos?

Estamos vivendo, nesses últimos dias, uma grande discussão sobre as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, a respeito das famílias numerosas.
Mas, antes de sairmos espalhando meias-verdades e colocando palavras na boca de outros e, nesse caso, esse 'outro' é o Papa, vale a pena nos informarmos (em fontes confiáveis!!!) sobre a verdade.
Fiz uma breve seleção de postagens que nos ajudarão a compreendermos melhor o que o Papa nos disse. Fique com essas palavras, não as da mídia tendenciosa que pretende destruir-nos, fazendo com que nos afastemos do Caminho seguro da santidade.

* http://www.news.va/pt/news/papa-economia-do-descartavel-e-causa-da-pobreza-na

* http://w2.vatican.va/content/francesco/it/speeches/2015/january/documents/papa-francesco_20150119_srilanka-filippine-conferenza-stampa.html

* http://blog.comshalom.org/carmadelio/44600-uma-reflexao-imperdivel-e-definitiva-sobre-entrevista-papa-e-os-benditos-coelhos

* http://www.deuslovult.org/2015/01/20/siamo-tutti-conigli/

* http://blog.comshalom.org/carmadelio/44582-papa-diz-que-os-catolicos-nao-devem-procriar-como-coelhos-novidade-da-afirmacao-esta-na-linguagem-de-francisco-que-dispensa-qualquer-dicionario-de-teologia



Em tempo: ainda não temos uma família numerosa... Ainda!!!

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

20/01/15 - Um lindo dia

Com essa vida corrida e enrolada que tenho (como muitos!) nunca consigo postar no blog tudo que gostaria e, com a advento das redes sociais, acaba ficando mais fácil facebookar  pelo celular para não deixar que datas importantes passem despercebidas, do que parar em frente ao computador. Também não seria justo deixar de publicar algo sobre um dia tão lindo. Então fiz o seguinte: a seguir, minhas palavras e as do meu digníssimo marido, postadas em nossos perfis no facebook, sobre o dia de ontem:



"Hoje, dia 20 de janeiro, é um dia duplamente feliz! Dia de comemorarmos nossos 19 anos de namoro e 4 anos do João.
Como não ser grata a Deus? Como encontrar palavras para agradecer-Lhe tamanha graça? Como não rezar à Nossa Senhora em agradecimento pelo pedido atendido?
O Senhor foi tão generoso comigo que, mesmo ainda em fase de infância (pois eu tinha apenas 13 anos) me separou um homem maravilhoso, do jeitinho que eu pedia em meus terços diários: um esposo temente a Deus. E foi assim: ganhei um namorado que buscava a santidade ardentemente e me arrastava junto com ele, sem me deixar desanimar jamais, sem me deixar pra trás nesse caminho. Hoje, já casados, não consigo deixar de ter aquele mesmo sentimento de encantamento diante de um homem tão maravilhoso que, em sua simplicidade, me conquista a cada dia mais e mais. Que, em propósito de fazer a Vontade de Deus, aceitou entregar nosso bem mais precioso, que era nosso amor, para nos dedicarmos ao Senhor e que, assim como Abraão entregou Isaac e teve seu filho devolvido, pôde me levar ao altar, pois o Deus viu que Ele mesmo é quem era o Senhor das nossas vidas. Que me fez mulher e que me faz mais mulher de Deus. Que me fez mãe, pois me deu meus dois tesouros preciosos: Clara e João. Esse mesmo João que hoje faz aniversário, que nasceu nos nossos 15 anos de namoro. Esse João que me revelou a Misericórdia Divina, que é filho da Providência, que é todo meu, que é todo de Deus. Que é a cópia do pai em tudo, em fisionomia, em beleza, em simplicidade, em afeto. Esse João que me lembra todos os dias o quanto sou amada, o quanto sou querida, que me abraça e me acolhe a todo instante, que vive me agradecendo pelas coisas mais simples, que me ensinou a leveza de ser mãe.
Obrigada, Senhor, pelos homens maravilhosos que o senhor colocou em minha vida!
Obrigada, pai, por pedir goiabas a Sergio, esperá-lo subir no pé e autorizar nosso namoro, mesmo sem eu saber de nada. Por ter sido tão sensível, percebendo meus sentimentos e adiantando-se porque sabia o que era melhor pra mim.
Obrigada, dona Angela e sr. Carlos, por terem educado tão bem seu filho e por terem sempre me aceitado em vossa família como verdadeira filha, desde o primeiro dia.
Obrigada, Sérgio, por ser quem você é. Te amo assim! Obrigada por me amar desde menina. Obrigada por ser luz de Deus pra mim. Obrigada por ser meu marido, meu namorado, meu amigo, meu mestre, meu confessor, meu guia... Obrigada por me dar Clara. Obrigada por me dar João, nosso João de 4 anos!
Obrigada, João, por me ensinar a ser uma mãe mais doce,mais paciente, mais compreensiva.. Cacá também agradece :)"





"1996 foi um ano bom. O dia de São Sebastião é logo no início do ano. Encontrei uma menina, meses antes, cabelos cacheados, olhos esguios, tímidos, de esquilo. Desviava o olhar, para o teto da Igreja, para o quadro de Santa Clara, para o de Santo Antônio, para a Santa Ceia, a Crucifixão, os anjos no teto. Vez em quando, os olhos dela batiam nos meus. Eu já sabia. Janeiro é um mês quente; mês das decisões, selar destinos, entrecruzar caminhos. Mês de longas histórias. Até maio, 4 meses. Até maio, 9 anos. Até maio, 10 anos. Até janeiro, 20 anos. O salmista rezou: ensina-nos a contar nossos dias. O segundo verso é mais importante: e dá ao nosso coração sabedoria. Não contamos números. Seria o reino da quantidade. Contar é viver. Contar é narrar. Contar, cantar. Também o salmista rezou: recolhe minhas lágrimas num odre. Nada está perdido, tudo está narrado, narrar para salvar os nossos dias. Nossa história é fragmentada, como este texto. Mas Deus narra tudo numa infinita unidade. No seu odre estão recolhidas todas as nossas lágrimas. As de alegria e as de tristeza. Tudo reunido numa única narrativa. No Livro, ou melhor, na Palavra, no Verbo. Nossa história ainda é vista pelo avesso, porque caminhamos , e caminhar é passar pelo deserto, pelo vale, pelo vale escuro, pelo vale das lágrimas, sob o Sol da Justiça... Nossa história de busca, de vocação, de quem aceita trabalhar com o que tem nas mãos. História de oferta, de sacrifício, de solidão a dois, a três, a quatro. De quem recita diariamente, na pobreza da oração: crer, adorar, esperar amar... História que tem fim, tem sentido, como disse Ratzinger, “Quem está nas mãos de Deus sempre cai nas mãos de Deus”. Nós sabemos onde tudo termina. Está tudo costurado, consumado. E mesmo no deserto, há flores. E mesmo nos vales mais escuros, há luz.
Como a luz deste dia. Dia feito para nós, onde celebramos nossos 19 anos juntos e a vida do nosso pequenino João. João, bondade e misericórdia de Deus. João que insiste em tirar, todos os dias, de nossos olhos as escamas da ilusão. Desafia-nos a olhar além do véu e relembrar: Deus viu que TUDO ERA BOM. Deus é bom, o mundo é bom. Sim o mundo é bom, a criação é boa, os céus narram a glória de Deus. Um dia conta a outro o seu segredo. E o maior mistério é: Deus é amor. Deus é bondade.
Celebremos este dia. Parabéns, Janine! Parabéns João! E viva a bondade de Deus!"

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

João de barro, Clara como cristal.



Como é possível? O mesmo pai, a mesma mãe, nascidos da mesma barriga, educados da mesma maneira, tão diferentes e singulares. É possível porque são indivíduos distintos, diferentes entre si, diferentes do pai, diferentes da mãe. Há algo que se assemelhe em algum momento, mas são únicos diante de Deus, cada um com sua personalidade própria.

Nós, como mães, precisamos ‘ler’ a vida dos nossos filhos e fazer disso um aprendizado para nossas vidas, não somente como mães, mas como mulheres!

Como é encantador perceber tantas diferenças! Como é desafiante tornar essas diferenças menos espinhosas possíveis! Como educar? Como guiar? Como não amar?

Minha Clara é toda luz! Aonde chega não fica despercebida, assim como uma peça de cristal, chega a ser imponente. Esculpida com lindos e leves traços. Tão delicada que se racha ao som mais agudo. Pode parecer dura e resistente, mas desfaz-se em pedaços se não lhe tomam com cuidado. Ao contrário, se lhe tratam com o devido carinho e respeito, poderão penetrar num doce mistério do coração de uma menina meiga e sensível.

Meu João é simples como um vaso de barro. Fácil de ser modelado. Bruto e terno ao mesmo tempo. Como uma moringa consegue guardar a água mais fresca, ele, com sua simplicidade, traz refrigério às nossas vidas. É sempre sinal da Misericórdia Divina. “Seu filho é tão feliz!” Disse-nos alguém outro dia. E ele é mesmo! E também nos faz muito felizes!

E eu fico aqui, com meu coração ansioso, pensando no presente que Deus nos preparará para o futuro...
E fico hoje, e a cada dia, com meu coração grato pelos dons maravilhosos que Sérgio e eu recebemos: Clara e João; luz e misericórdia; cristal e barro; tão parecidos e tão diferentes; tão únicos e tão amados.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Quando nasce um bebê



Dizem: quando nasce um bebê, nasce uma mãe também. E um polvo. Um restaurante delivery. Uma máquina de chocolate prontinho. Uma mecânica de carrinhos de controle remoto. Uma médica de bonecas. Uma professora-terapeuta-cozinheira de carreira medíocre. Nasce uma fábrica de cafuné, um chafariz de soro fisiológico, um robô que desperta ao som de choro. E principalmente: nasce a fada do beijo.
Quando nasce um bebê, nasce também o medo da morte - mães não se conformam em deixar o mundo sem encaminhar devidamente um filho.
Não pense você que ao se tornar mãe uma mulher abandona todas as mulheres que já foi um dia. Bobagem. Ganha mais mulheres em si mesma. Com seus desejos aumentam sua audácia, sua garra, seus poderes. Se já era impossível, cuidado: ela vira muitas. Também não me venha imaginar mães como seres delicados e frágeis. Mães são fogo, ninguém segura. Se antes eram incapazes de matar um mosquito, adquirem uma fúria inédita. Montam guarda ao lado de suas crias, capazes de matar tudo o que zumbir perto delas: pernilongos, lagartas, leões, gente.
Mães não têm tempo para o ensaio: estreiam a peça no susto. Aprendem a pilotar o avião em pleno voo. E dão o exemplo, mesmo que nunca tenham sido exemplo. Cobrem seus filhos com o cobertor que lhes falta. E, não raro, depois de fazerem o impossível, acreditam que poderiam ter feito melhor. Nunca estarão prontas para a tarefa gigantesca que é criar um filho - alguém está?
Mente quem diz que mãe sente menos dor - pelo contrário! Ela apenas aprende a deixar sua dor para outra hora. Atira o seu choro no chão para ir acalentar o do filho. Nas horas vagas, dorme. Abastece a casa. Trabalha. Encontra os amigos. Lê - ou adormece com um livro no rosto. E, quando tem tempo pra chorar - cadê? -, passou. A mãe então aproveita que a casa está calma e vai recolher os brinquedos da sala. Como esse menino cresceu, ela pensa, a caminho do quarto do filho. Termina o dia exausta, sentada no chão da sala, acompanhada de um sorriso besta. Já os filhos, ah Filhos fazem a mãe voltar os olhos para coisas que não importavam antes. O índice de umidade do ar. Os ingredientes do suco de caixinha. O nível de sódio do macarrão sem glúten. Onde fica a Guiné-Bissau. Os rumos da agricultura orgânica. As alternativas contra o aquecimento global. Política. E até sua própria saúde. Mães são mulheres ressuscitadas. Filhos as rejuvenescem, tornando a vida delas mais perigosa - e mais urgente.
Quando nasce um bebê, nasce uma empreiteira. Capaz de cavar a estrada quando não há caminho, só para poder indicar: É por ali, filho, naquela direção.

Cris Guerra

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

A Mãe Humana no Abraço Eterno de Deus

Como vocês podem perceber, há mais de seis meses não publico uma só letra no blog.
Nesse tempo muita coisa aconteceu, mas o que me levou realmente a perder as palavras foi a perda da minha mãe.
Mamãe se foi no dia 29 de maio deste ano, de uma maneira muito rápida (apesar dos longos anos de limitação por conta da DPOC). Não esperávamos! Fomos pegos de surpresa! Passei a noite no hospital com ela e cheguei a ter a ilusão de que logo voltaria pra casa. Em pouco mais de 30 horas a contar da sua internação ela foi se 'apagando' até que o cansaço acumulado de tanto tempo de luta a venceu.
Nunca senti uma dor assim! Perdi o chão, perdi o ar, perdi Deus de vista... Senti verdadeiramente o "abraço esmagante" de Deus, Sua "ausência torturante", uma "dor incomparável, consolo inestimável"... E, por um instante, cheguei a pensar a não voltar a abrir os olhos. Nesse dia completavam-se 11 meses que a vovó tinha falecido (você pode ler sobre esse dia aqui) e uma ferida ainda maior se abriu no meu peito.
Mamãe foi enterrada no dia em que ela e papai completariam 33 anos de casamento e, no dia seguinte, 31 de maio, eu completei 32 anos de vida.
Não conhecemos os planos de Deus, mas alguns meses antes de mamãe falecer, consegui fechar a compra da casa que minha avó morou durante muitos e muitos anos, desde a infância da minha mãe e dos meus tios. Essa casa fica a poucos metros da casa da mamãe. Enfim eu poderia fazer-lhe companhia, estar mais presente, deixar as crianças curtirem mais a vovó. E marcamos a mudança justamente para o dia 31 de maio; seria o meu presente de aniversário.
Quando recebi a notícia de sua morte, no hospital, eu só conseguia pensar: "Agora não! Agora eu vou cuidar mais dela! Logo agora que consegui vir pra mais perto?! Por que??? Por que???" E, mesmo com o coração em frangalhos, mesmo sem esperança, mesmo com toda dor - que chegava a ser física - fizemos a mudança.
O tempo foi passando... O Senhor foi me consolando através do amor do meu pai, do meu irmão, do meu marido, dos meus filhos, da minha família, dos meus amigos...
Pude viver, mais intensamente esse consolo de Deus no último fim de semana em um retiro espiritual. Deixei casa, marido e filhos pra trás por três dias e fui para o Congresso das Novas Comunidades da minha Diocese. Justamente nesse fim de semana em que mamãe estava completando 6 meses em que foi ao encontro do Pai.
A mamãe já não podia frequentar a Santa Missa há algum tempo por conta do transtorno em carregar cilindros de oxigênio que nem sempre duravam a Celebração inteira, mas recebia semanalmente a Eucaristia em casa. Engraçado como que, mesmo assim, sempre é na Celebração Eucarística que mais sinto falta da sua presença; penso que essa seja a Comunhão dos Santos. Pois bem, durante a minha ação de graças, na missa de abertura, enquanto sentia sua falta e a saudade invadia meu coração, pude ouvir claramente o Senhor me dizer: "Alegra-te, ela está comigo!" O meu coração se acalmou e os meus olhos não conseguiam segurar tantas lágrimas. O purgatório passou. Quem sou eu pra conhecer os mistérios de Deus? Mas, naquele instante, eu tive a certeza de que ela estava lá, à minha espera e, enquanto esse dia não chega, continua intercedendo e zelando por mim, sua filha, e por nossa família.

Creio no Espírito Santo,

na Santa Igreja Católica,

na comunhão dos Santos,

na remissão dos pecados,

na ressurreição da carne,

na vida eterna.

Amém.

Missa de abertura do IV CDNC