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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Testemunho sobre o M.O.B. (Método de Ovulação Billings)




Lendo o testemunho de um casal que falava sobre o MOB em um site, senti o impulso de falar um pouco do nosso testemunho em relação ao MOB.
Meu nome é Janine, sou casada com o Sérgio há 11 anos, temos 3 filhos: a Clara (8 anos), o João (5 anos) e o José, nosso anjinho no céu.
Sérgio e eu começamos a namorar em janeiro de 1996 e desde sempre tentamos viver sob o olhar da Santa Mãe Igreja. Quando resolvemos ficar noivos, já com 6 anos de namoro, fomos buscando formação na área da vivência da sexualidade em casal e como faríamos para espaçar as gestações, já sabendo que a Igreja aceitava somente os métodos naturais.
Infelizmente, o MOB (Método de Ovulação Billings) não era difundido com tanta facilidade naquela época e, através da internet, li alguma coisa a respeito, mas sem aprofundamento.
Conheci, através do Prof. Felipe Aquino, um aparelhinho que se chamava MiniSophia. Era um aparelho importado que unia alguns métodos naturais como a tabelinha, o muco e a temperatura basal. Foi nossa primeira aquisição em relação ao casamento, antes mesmo de enxoval ou algum móvel. Comecei a usá-lo antes do casamento para ir me adaptando às informações e, quando nos casamos, já estava habituada a usá-lo.
Conseguimos engravidar “de primeira”, quando achamos que era o momento de recebermos os filhos que Deus nos confiaria, mas não consegui mais usar o aparelho porque a temperatura precisava ser medida de forma sublingual e com, no mínimo, 4 horas de repouso; o que era impossível com uma bebê recém-nascida que exigia muito de nós a noite inteira.
Sendo assim, voltei aos estudos e buscas de internet para tentar aprender o MOB e acabei achando que já era doutora autodidata, fui lendo e misturando uma penca de informações. Passados 2 anos do nascimento da minha primeira filha engravidei novamente e, apesar de já estar nos nossos planos, foi uma surpresa porque estávamos “fazendo tudo direitinho” (conforme eu achava que era, sem anotações diárias, só observando quando estava seca ou não). Eu repetia a meu marido que não sabia como havíamos engravidado, porque não fiz nada de errado em relação ao método que estávamos usando. Mas isso não era importante, porque a alegria de gerarmos novamente uma vida era muito maior!
Em meados de 2014, fomos chamados a participar de um curso sobre Paternidade Responsável, em Nova Friburgo, feito pela Plafam da Comunidade Shalom. Foi um divisor de águas! Louvo a Deus pela vida da Lucinha e do Lupércio, que deram esse curso, e pela vida do Renato, que nos convidou. Foi ali que tivemos nosso primeiro contato com o autêntico Método Billings! Foi ali que descobri qual foi o “erro” que nos trouxe nosso amado João. Foi a partir daquele encontro que comecei a fazer minhas anotações da maneira adequada e procurei uma instrutora que, para minha honra, foi a própria Heloísa, no começo. Pronto! Agora sim podia dizer que era usuária MOB!
Somos uma família aberta à vida, mas temos consciência do chamado à paternidade responsável. Por isso quisemos espaçar o nascimento dos nossos filhos. Enquanto esperamos esse espaçamento, nos preparamos para acolhermos mais um membro amado na nossa família. Ano passado vimos que já estava passando a hora para que déssemos mais um irmãozinho aos nossos filhos e decidimos, mesmo continuando as anotações, começar a quebrar as regras*, mas sem as usá-las para obter a gravidez. Os meses foram se passando, mas o bebê não chegava. Percebi que meu corpo não é o mesmo, que o estresse da correria de todo dia estava me atrapalhando a poder gerar novamente, e essa expectativa a cada mês estava me consumindo. Mas temos o MOB e podemos usá-lo a nosso favor. No primeiro ciclo em que usamos as regras para obter a gravidez pudemos louvar a Deus pela nova vida e dar a tão sonhada e esperada notícia do nosso terceiro filho. Foi da Vontade de Deus que não o conhecêssemos e o Senhor levou nosso pequeno José ao Céu no quarto mês de gestação.
Enfim, dou esse testemunho para dizer às famílias que o MOB é uma bênção, tanto para espaçar o nascimento dos filhos, quanto para obter a graça de gerar um. Dou esse testemunho para dizer que o autêntico Método de Ovulação Billings só é possível mediante anotações e um acompanhamento adequado por um instrutor formado pela Cenplafam. É possível fazer o MOB e ter uma família linda e numerosa (a exemplo do Dr. John Billings e da Dra. Evelyn Billings, que tiveram 9 filhos). É possível fazer o MOB e ter uma família de acordo com a Vontade de Deus, seja com um filho apenas ou mais, pois os motivos graves e justos somente os esposos podem discernir com o auxílio de seu diretor espiritual ou seu pároco. É possível fazer o MOB, porque é um método simples, de fácil aprendizagem e aplicação, pensado e estudado para ser aplicado em todas as culturas e níveis de instrução intelectual.
Que Deus os abençoe e às suas famílias!
Janine Huguenin Meirelles de Souza (instrutora MOB)

* o MOB possui 4 regras que são usadas tanto para espaçar as gestações, quanto para a alcançá-las.
Outubro/2016



quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

20/01/15 - Um lindo dia

Com essa vida corrida e enrolada que tenho (como muitos!) nunca consigo postar no blog tudo que gostaria e, com a advento das redes sociais, acaba ficando mais fácil facebookar  pelo celular para não deixar que datas importantes passem despercebidas, do que parar em frente ao computador. Também não seria justo deixar de publicar algo sobre um dia tão lindo. Então fiz o seguinte: a seguir, minhas palavras e as do meu digníssimo marido, postadas em nossos perfis no facebook, sobre o dia de ontem:



"Hoje, dia 20 de janeiro, é um dia duplamente feliz! Dia de comemorarmos nossos 19 anos de namoro e 4 anos do João.
Como não ser grata a Deus? Como encontrar palavras para agradecer-Lhe tamanha graça? Como não rezar à Nossa Senhora em agradecimento pelo pedido atendido?
O Senhor foi tão generoso comigo que, mesmo ainda em fase de infância (pois eu tinha apenas 13 anos) me separou um homem maravilhoso, do jeitinho que eu pedia em meus terços diários: um esposo temente a Deus. E foi assim: ganhei um namorado que buscava a santidade ardentemente e me arrastava junto com ele, sem me deixar desanimar jamais, sem me deixar pra trás nesse caminho. Hoje, já casados, não consigo deixar de ter aquele mesmo sentimento de encantamento diante de um homem tão maravilhoso que, em sua simplicidade, me conquista a cada dia mais e mais. Que, em propósito de fazer a Vontade de Deus, aceitou entregar nosso bem mais precioso, que era nosso amor, para nos dedicarmos ao Senhor e que, assim como Abraão entregou Isaac e teve seu filho devolvido, pôde me levar ao altar, pois o Deus viu que Ele mesmo é quem era o Senhor das nossas vidas. Que me fez mulher e que me faz mais mulher de Deus. Que me fez mãe, pois me deu meus dois tesouros preciosos: Clara e João. Esse mesmo João que hoje faz aniversário, que nasceu nos nossos 15 anos de namoro. Esse João que me revelou a Misericórdia Divina, que é filho da Providência, que é todo meu, que é todo de Deus. Que é a cópia do pai em tudo, em fisionomia, em beleza, em simplicidade, em afeto. Esse João que me lembra todos os dias o quanto sou amada, o quanto sou querida, que me abraça e me acolhe a todo instante, que vive me agradecendo pelas coisas mais simples, que me ensinou a leveza de ser mãe.
Obrigada, Senhor, pelos homens maravilhosos que o senhor colocou em minha vida!
Obrigada, pai, por pedir goiabas a Sergio, esperá-lo subir no pé e autorizar nosso namoro, mesmo sem eu saber de nada. Por ter sido tão sensível, percebendo meus sentimentos e adiantando-se porque sabia o que era melhor pra mim.
Obrigada, dona Angela e sr. Carlos, por terem educado tão bem seu filho e por terem sempre me aceitado em vossa família como verdadeira filha, desde o primeiro dia.
Obrigada, Sérgio, por ser quem você é. Te amo assim! Obrigada por me amar desde menina. Obrigada por ser luz de Deus pra mim. Obrigada por ser meu marido, meu namorado, meu amigo, meu mestre, meu confessor, meu guia... Obrigada por me dar Clara. Obrigada por me dar João, nosso João de 4 anos!
Obrigada, João, por me ensinar a ser uma mãe mais doce,mais paciente, mais compreensiva.. Cacá também agradece :)"





"1996 foi um ano bom. O dia de São Sebastião é logo no início do ano. Encontrei uma menina, meses antes, cabelos cacheados, olhos esguios, tímidos, de esquilo. Desviava o olhar, para o teto da Igreja, para o quadro de Santa Clara, para o de Santo Antônio, para a Santa Ceia, a Crucifixão, os anjos no teto. Vez em quando, os olhos dela batiam nos meus. Eu já sabia. Janeiro é um mês quente; mês das decisões, selar destinos, entrecruzar caminhos. Mês de longas histórias. Até maio, 4 meses. Até maio, 9 anos. Até maio, 10 anos. Até janeiro, 20 anos. O salmista rezou: ensina-nos a contar nossos dias. O segundo verso é mais importante: e dá ao nosso coração sabedoria. Não contamos números. Seria o reino da quantidade. Contar é viver. Contar é narrar. Contar, cantar. Também o salmista rezou: recolhe minhas lágrimas num odre. Nada está perdido, tudo está narrado, narrar para salvar os nossos dias. Nossa história é fragmentada, como este texto. Mas Deus narra tudo numa infinita unidade. No seu odre estão recolhidas todas as nossas lágrimas. As de alegria e as de tristeza. Tudo reunido numa única narrativa. No Livro, ou melhor, na Palavra, no Verbo. Nossa história ainda é vista pelo avesso, porque caminhamos , e caminhar é passar pelo deserto, pelo vale, pelo vale escuro, pelo vale das lágrimas, sob o Sol da Justiça... Nossa história de busca, de vocação, de quem aceita trabalhar com o que tem nas mãos. História de oferta, de sacrifício, de solidão a dois, a três, a quatro. De quem recita diariamente, na pobreza da oração: crer, adorar, esperar amar... História que tem fim, tem sentido, como disse Ratzinger, “Quem está nas mãos de Deus sempre cai nas mãos de Deus”. Nós sabemos onde tudo termina. Está tudo costurado, consumado. E mesmo no deserto, há flores. E mesmo nos vales mais escuros, há luz.
Como a luz deste dia. Dia feito para nós, onde celebramos nossos 19 anos juntos e a vida do nosso pequenino João. João, bondade e misericórdia de Deus. João que insiste em tirar, todos os dias, de nossos olhos as escamas da ilusão. Desafia-nos a olhar além do véu e relembrar: Deus viu que TUDO ERA BOM. Deus é bom, o mundo é bom. Sim o mundo é bom, a criação é boa, os céus narram a glória de Deus. Um dia conta a outro o seu segredo. E o maior mistério é: Deus é amor. Deus é bondade.
Celebremos este dia. Parabéns, Janine! Parabéns João! E viva a bondade de Deus!"

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Carta aberta

Hoje é dia de São Sebastião. Há dezoito anos atrás encontrei aquela por quem meu coração bate. Não há como não dizer que foi ela que me ensinou a ser o homem que sou hoje. Ao seu lado aprendi a rezar, a perdoar, a pedir desculpas, a chorar na frente de uma mulher, a me sacrificar. Com ela vivi os momentos mais difíceis da vida e aqueles em que a felicidade era tão indizível que transbordava silenciosa. Ela me deu tudo o que tenho e deu a si mesma. E deu sentido à minha vida. E me deu família. Me deu lar, me deu casa. Me deu um lar onde pudesse retornar todos os dias: seus braços. Chegar em casa é chegar em seus braços.Ela me fez sentir o carinho e o amor que nenhum outro homem no mundo sentiu. Me fez ficar perplexo diante do mistério de uma mulher. Me fez ficar dias e noites tentando compreender o que se passava em sua cabeça. Me fez tentar montar o quebra-cabeças indecifrável que é um homem se esforçar para entender uma mulher. E me faz aceitar que jamais a compreenderei por inteiro e que basta saber que o seu amor é garantido para sempre. Ela me deu filhos. E esse é um capítulo maior de nossa história. Depois dos filhos nada mais seria como antes. A Janine mãe, foi outro ser que emergiu da profundidade da dor e da alegria secreta de ser mãe. E é uma mãe como poucas, mãe como o mundo parece começar a se esquecer que existe. Mãe das entranhas. Daquelas que sangram e dão o que não têm porque sabem que a graça de ser mãe de verdade só pode vir do Céu para aquelas que já esgotaram suas forças na terra.Ela me deu filhos que o tempo todo testemunham que jamais ficaremos distantes um do outro nesse mundo. Meu deu João, me deu Clara. Me deu uma família para que o suor, o sangue e a lágrima de cada dia tivessem sentido. Nenhum segundo de dor é vão para quem tem família. São os primeiros dezoito anos de uma vida inteira. Já não posso dizer que a felicidade é uma ilusão. Ela se apresenta inteira para mim, todos dias, todos os dias. Encontrei o meu tesouro e não o deixarei.E eu a conheci no dia de São Sebastião. Obrigado São Sebastião! Obrigado Janine! Você tem todo o meu amor.

          Essas foram as palavras que abriram minha manhã de 20 de janeiro deste ano, dia em que meu marido e eu completamos 18 anos de namoro. Meu marido é um poeta! Bem diferente de mim, pobre mortal, que mal sabe escrever o português corretamente. Ao ler seu texto disse-lhe que, enquanto não houvesse palavras à altura, não lhe responderia. Já se passaram dias e ainda não as encontrei... Não me arriscarei a tentar escrever algo bonito, a beleza nas minhas palavras não vêm do uso certo de regras gramaticais, muito menos da poesia. Não sei escrever. Mas, assim como faço quando me atrevo a cozinhar (outro ato um tanto quanto custoso pra mim), escrevo porque amo, não as palavras, mas a quem as dirijo.
          Conheci o amor da minha vida quando tinha apenas 13 anos. Antes mesmo de conhecê-lo eu já participava ativamente das atividades pastorais da Igreja, cantava em Grupo de Oração, em ‘Evangelizashows’, em retiros, já rezava meu terço diariamente, já fazia jejuns e abstinências, já lia a Palavra e fazia a ‘Bíblia no meu dia-a-dia’. Lembro-me com bastante clareza de, em uma noite, enquanto rezava o terço, pedir a Nossa Senhora que me trouxesse um namorado que fosse temente a Deus, que me amasse de verdade, que fosse o melhor pai que os meus filhos poderiam ter. Como uma mãe zelosa, ela não tardou em atender meu pedido. Poucos meses depois um rapaz lindo, de uma família de bem, que servia ao Senhor (apesar de, na época, ele ainda não estar convertido), que ia frequentemente à missa, que tinha pais zelosos e que eram exemplos de fé, entrou no Grupo Santa Cecília (ministério de música onde eu servia). Pois bem, preciso dizer mais alguma coisa? Meu pedido estava sendo atendido! A partir daí comecei a pedir à Mãe que ele começasse a sentir por mim o mesmo que eu estava sentindo por ele. Apesar da diferença de idade, ele com 20 e eu com 13 anos, apesar de ser uma criança ainda e ele já um rapaz formado, ele se interessou por mim. Até hoje me pergunto o que eu tinha de tão atrativo naquela época. Tenho a certeza de que não era minha beleza nem minha ‘linda voz’, pois tanto uma quanto a outra eram bem características de criança entrando na adolescência. Mesmo tentando esconder meus olhares direcionados a ele, os seus olhos me elegeram.
          A partir daí começamos uma linda história de amor. Tropeçamos, caímos, levantamos, nos perdoamos, nos amamos... Desde sempre fomos companheiros e amigos: “meu melhor amigo é o meu amor”! Passamos por muitos momentos, como Sérgio mesmo disse em seu texto. Assim como ele, posso afirmar: Foi você, Sérgio, quem me fez ser a mulher que sou hoje. Você me fez crescer... Crescer na vida, crescer na fé. Tudo que sou hoje tem o seu dedo, o seu olhar, o seu carinho, a sua paciência, o seu cuidado, o seu jeito... Já vivi muito mais com você do que sem você. Você é meu porto-seguro, minha referência, meu professor, meu amigo, meu confidente. Como não amar um homem como você? Te admiro na sua dedicação ao Senhor, no seu empenho na busca da santidade, na sua reponsabilidade no trabalho, na sua honestidade, na sua fidelidade. Você é um ótimo marido porque é um ótimo filho e, mais ainda, um pai maravilhoso. Um homem que não se cansa de amar, de se doar a nós e por nós.
          Meus pais me deram a vida e você me deu o maior presente que alguém poderia me dar depois disso: a maternidade. Depois que me tornei mãe me conheci de uma maneira que nem eu mesma sabia que eu era. Com essa descoberta, nem sempre agradável, você mais uma vez me ajudou a crescer, a ser melhor para as crianças, a realizar na vida da nossa família tudo o que o Senhor deseja para nós. Tenho orgulho em olhar para Clara e João e perceber seus lindos traços neles. E não somente os físicos, mas a personalidade. João é sua miniatura! Como ele é lindo! Clara é minha ‘mini-mim’, tanto nos sentimentos, quanto nos dramas homéricos, mas ainda assim é sua carinha que vejo quando olho nos olhos dela.
          Obrigada, dona Angela e Sr. Carlos, pelo filho maravilhoso que vocês educaram com tanto amor e dedicação. Obrigada, pai, por usar da desculpa de pegar goiabas para, enquanto Sérgio estava ainda lá em cima da goiabeira, autorizar nosso namoro (desse momento eu só soube anos depois). Agradeço a todos os ‘Araújo’ e ‘de Souza’ por me acolherem como da família. Agradeço aos nossos irmãos de caminhada que sempre estiveram conosco durante todo esse tempo, intercedendo e torcendo por nós.
          Obrigada, Senhor, por ouvir a intercessão de Vossa Mãe e providenciar para mim o melhor homem que eu poderia ter na minha vida!
          Obrigada, Sérgio, por se deixar encantar pelo olhar de uma menina que, hoje mulher feita, não sabe fazer outra coisa senão te amar.

Acampamento de Músicos na Canção Nova em 1996,
quando Sérgio se converteu

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Confissões à Clara (nos seus 5 anos)



          Nossa! Como o tempo voa... Outro dia mesmo você estava na minha barriga. Pisquei os olhos e você já estava andando. Nem bem me acostumei com isso e agora você já até sabe ler. Já são 5 anos!! Onde você vai parar, mocinha?! Nem quero saber o que está por vir... Namorado? Profissão? Viagens? Sair de casa??? Nem pensar!!! Você é, e pra sempre será, minha bonequinha, meu bebezinho, minha gatinha manhosa.
Porém, sei bem que isso tudo é inevitável. Percebi isso quando fui levar você e seu irmãozinho para tomarem a “gotinha”. Essa foi sua última campanha de vacinação. Meu bebê está crescendo! Foi muito estranho pra mim... é uma mistura de orgulho em vê-la tão crescida com um desespero em querer segurar os ponteiros do relógio para fazer o tempo parar.
Sinto-me assim a todo instante com você, minha filha. Desde que você nasceu todo tipo de sentimento contrastante habita em mim. A partir de você comecei a me descobrir realmente como sou. Antes da sua chegada minha vida era equilibrada, tranquila, eu tinha sempre as respostas para as questões da vida, tinha controle sobre meus instintos, vontades, pensamentos e atos. E você chegou! Tudo que eu pensava ter sob controle foi arrastado como um castelo de areia pelas ondas do mar. Me vi sem chão, chorando pelos cantos da casa por não saber o que fazer pra controlar seu choro incessante, por não conseguir te alimentar do meu próprio leite, por me sentir sozinha e, pela primeira vez na vida, não saber exatamente o quê e como fazer. Como poderia uma criança tão indefesa e inocente conseguir dilacerar o mais profundo de mim daquele jeito? Você chorava, chorava não, berrava, de olhos abertos, fitos nos meus, o que me angustiava profundamente. Hoje eu sei que você não chorava apenas por causa do refluxo ou dos gases, mas porque implorava meu amor e meu olhar de mãe. Me perdoe, minha filha, pela demora em entender seu apelo. Nada do que passei foi culpa sua. Também nem sei se foi minha...
Você foi muito sonhada e planejada. Como a mamãe já te contou diversas vezes, você é do jeitinho que pedimos a Papai do Céu: moreninha, de cabelos cacheados, rostinho de boneca, sapeca e doce... Talvez seja esse o maior problema: você era tudo o que eu sempre sonhei e eu não estava “dando conta do recado”. Você quebrou minha autossuficiência e me ensinou, dia a dia, a ser mãe. Não sou uma mãe perfeita, estou longe disso. Muitos dizem que tenho “cara de mãe”, que meu jeitinho é perfeito pra maternidade, mas nós duas sabemos que não é bem assim. Perdoa a mamãe pelos destemperos, por tudo que fiz você passar nos seus primeiros meses de vida, pela inexperiência, por não ser tudo que nós duas gostaríamos que eu fosse. Me perdoe por não brincar tanto, não ler tanto, não dar tanto colo, não pintar tanto suas unhas, não ter ainda te levado pra ver o mar nem os animais de um zoológico, nem ver Carrossel todos os dias com você. Gostaria de ser A Mãe, mas não sou... Sou apenas uma mãe, simplesmente humana, cheia de erros e defeitos, mas com muito, muito, muito amor por você, seu irmão e seu pai.
Obrigada, meu amorzinho, por ter-me feito mãe há 5 anos atrás! Obrigada por ser uma menininha tão linda, amorosa, carinhosa, esperta, sonhadora, doce, meiga, com esses olhinhos tão penetrantes e sorriso tão radiante. Obrigada por me fazer melhor a cada dia, por trazer a felicidade de volta ao meu coração depois de um dia exaustivo de trabalho. Você é minha princesinha, a dona do meu coração. Peço ao Senhor que preserve sempre seu coraçãozinho no caminho reto da santidade e que a Mãezinha do Céu cuide de você todos os dias da sua vida.
Te amo, Clara!!!


terça-feira, 26 de junho de 2012

Para Clara


Em razão dos seus 4 aninhos em 10 de junho de 2012

       
          Filha querida, seu aniversário passou e, por causa da correria e falta de tempo, a mamãe nem deixou um recadinho aqui no blog pra você. Muito dessa correria é por sua causa mesmo, não é, mocinha?! Não é pelo trabalho que vocês, crianças, nos dão, mas porque não nos cansamos em correr atrás da felicidade de vocês. 


          Felicidade de vocês??? Felicidade minha!!! Felicidade em ter uma filha maravilhosa, como você! Nunca me canso de olhá-la, admirá-la... sou mesmo mãe coruja e babona. Não é para menos, você é linda! Linda como uma boneca, como uma princesa, mais que todas as dos contos-de-fadas. Linda por fora e linda por dentro. Seu coração, sua sensibilidade, sua ternura, seu carinho, sua preocupação com as coisas mais simples... Você me conhece como ninguém. Mesmo quando tento disfarçar minha tristeza, mesmo quando tento esconder as lágrimas, você sempre vem me perguntando: “porque você ta assim, mãe?” Coisa que nós, adultos, deixamos passar desapercebido (a dor dos outros) você sempre se preocupa. Não sei se isso é bom pra você, mas sei que é assim.


          Claro que muitas e muitas vezes você age como uma simples garotinha de 4 anos, porque você é uma menininha de 4 anos (às vezes até nos esquecemos disso)! O choro porque quer uma coisa na hora errada, a dificuldade em dividir algum lanchinho quando este está acabando, o riso fácil quando nos desfazemos da capa de 30 e poucos anos e nos igualamos nas brincadeiras com você, a necessidade de atenção contínua, a pirraça na hora do banho, o sorriso tímido ao cantar, o olhar encabulado quando alguém a cumprimenta... Tudo em você me encanta. Tudo em você me fascina. Tudo em você me faz reconhecer a Bondade Divina. Como posso ser mãe de uma criança assim? Nunca imaginei ter uma filha assim! Você supera toda expectativa!


          Me perdoe, filha, por às vezes me esquecer que você é só uma criança... Sua ‘maturidade’ às vezes me assusta... Mas não é culpa sua. Nunca! E nem sei se é minha também. Ainda estou aprendendo a ser mãe e é você quem me ensina no nosso dia-a-dia.  Me perdoe! Me perdoe pelos gritos, pelas cobranças, pelos destemperos... Te amo e só quero o seu bem. Quero que você seja feliz. Só isso. Não quero que você seja mais nem menos que os filhos dos outros, apenas desejo que você seja a Clara que Deus sonhou. Nós a sonhamos e desejamos assim: meiga, doce, moreninha, cabelos de cachinhos, narizinho de boneca. E Deus, além disso tudo, nos deu você, com isso tudo que tentei descrever aqui e muito, muito, mas muito mais.


          Você sabe que a mamãe não é muito boa com as palavras (isso é para seu pai), mas esse texto é só para deixar registrado que te amo e dependo de você para ser feliz!


          Feliz Aniversário! 
      Feliz 4 anos!


   Te amo!!!
Mamãe



domingo, 17 de abril de 2011

Moro Em Um Castelo


               Eu moro em um castelo.
               Todo castelo tem torres. O meu também. E são duas.
Uma tem uma bela vista, me debruço em sua janela para contemplar o reino. De lá consigo ver com clareza cada canto dos arredores, mesmo os mais escondidos. Meus cotovelos denunciam o tempo perdido em seu peitoril. Só há um problema: a escada que leva ao seu topo é tortuosa e cansativa demais para ser subida todos os dias. Quando ouso subi-la, aproveito ao máximo tudo que ela pode me oferecer. E ela me dá muito mais do que meus olhos e coração almejam. Fico ali, admiro, contemplo, deslumbro-me, sem palavras... Ah! Como quisera ter mais ânimo e coragem para enfrentar sua subida mais vezes.
A outra torre tem fácil subida, mas é de difícil entrada. Sua porta tem sete cadeados e cada cadeado um segredo. Por vezes deixo um e outro abertos para facilitar a próxima entrada. Sempre me arrependo. Há quem entre, vasculhe, bagunce e até roube algo que guardo com tanto cuidado. É nessa torre que ficam meus pertences valiosos. Não há ouro nem prata, mas o que guardo ali vale a minha própria vida. Esses que entram e mexem sem permissão, não sabem o valor de cada guardado. (Certa vez achei jogado ao lixo algo que me era muito querido e fiquei triste, não esqueço tamanha indiferença e maldade!) Também há os que são convidados a entrar e é maravilhoso perceber que muito do que guardo não é valioso somente para mim. Essa torre precisa de uma boa faxina de tempos em tempos – e foi bom lembrar disso, já está na hora.
Todo castelo tem ponte. O meu também.
É uma ponte levadiça, pesada, não muito grande. Tem o comprimento exato para ligar o castelo ao reino e a largura necessária para deixar a carruagem passar. Sua madeira é forte e resistente, mas temo as correntes. Essas são frágeis e quem as manuseia tem que ter firmeza e doçura na medida certa. Se elas se arrebentarem, ou não se entra mais no castelo ou qualquer um tem acesso. Não, isso não pode acontecer.
Todo castelo tem um fosso. O meu também.
Fossos não são nada atraentes, mas são necessários. Ele fica sob a ponte. Tentei enfeitá-lo com flores delicadas à sua volta. Foi em vão. Os monstros que vivem ali comem tantas quantas são plantadas. Ainda não desisti de melhorá-lo. Um dia ou os monstros se saciam ou percebem que o trabalho deles é que é vão.
Todo castelo tem um príncipe e uma princesa. O meu também.
A princesa é primogênita. Forte e decidida, meiga e delicada. Sua personalidade me é imposta de uma maneira sem igual. Mais parece uma rainha! Não usa muitos adornos, na verdade nem gosta deles. E nem precisa – é linda, muito linda, como nenhuma outra em todo o reino. Com sua doce autoridade manda e desmanda no castelo todo e quase sempre é obedecida. Tem olhos profundos e penetrantes – essa sempre foi sua arma. Seu cabelo, cheio de lindos cachos que teimam em não crescer, é macio como as nuvens. Sua pele, morena e macia, cobre um corpo esguio e ativo. Como toda princesa, é encantadora por natureza.
O príncipe chegou há pouco. Ainda não o conheço muito bem, mas já me apaixonei desde o primeiro instante. E sei que ele me ama também. Calmo e sereno ele vai conquistando um espaço que é todo seu no castelo. Usa seu sorriso como uma hipnose aos que o cercam. Tem feições másculas com certo toque de candura. Assim como a princesa, é o mais belo de todo o reino e sua beleza ilumina o rosto de quem o contempla. Ele vive há tão pouco tempo no castelo, mas parece que sempre esteve lá.
Todo castelo tem um guardião. O meu também.
Sua segurança e equilíbrio são imprescindíveis ao castelo. Ele guarda as torres e pode entrar livremente em cada uma. Ele vigia a ponte e cuida com todo esmero das correntes. Ele amansa os monstros do fosso e muitas vezes os repreende para que deixem as flores em paz. Ele cuida da princesa e, como ela gosta, trata-lhe como uma rainha. Ele embala o príncipe que sempre lhe paga com sorrisos. Ele não idealizou, mas ajudou na construção desse castelo e o guarda com um cuidado irretocável. O castelo não seria o mesmo sem ele.
Todo castelo tem um rei. O meu também.
O rei planejou, amou e criou o castelo à sua maneira. Digo mais, ele o criou à sua imagem. Ele ama e dá a vida pelo seu reino. Seu castelo está cheio de fendas e trincados, mas ele não se importa em cuidar e consertar quantas vezes for necessário. O rei só tem um desejo: o de ver seu castelo perfeito, em harmonia, em paz, mesmo que isso demore até a eternidade.
Pensando bem, eu não moro em um castelo. Eu sou esse castelo.