Mas o que uma mãe de família e dona de casa humilde tem a ensinar às
famílias do século 21? Qual foi o segredo de sua santidade? Como as
mulheres podem se santificar e santificar seus filhos?
quarta-feira, 14 de setembro de 2016
domingo, 24 de julho de 2016
"Deus deu, Deus tirou. Bendito seja o nome do Senhor"
Era 30 de junho, o dia estava lindo, uma quinta-feira de muito trabalho. Dia comum, mas especial porque, enfim, consegui guardar segredo de toda a família a respeito da ultrassonografia que faria neste dia para descobrir o sexo do bebê que esperava há 4 meses - nas "contas de gestante", 17 semanas.
Saí correndo pela rua, já atrasada para o exame, morrendo de medo de encontrar o marido no caminho e ter que inventar uma história qualquer para continuar meu plano. Na bolsa, dois cartões escritos: cada um escrito com os nomes que havíamos escolhido para cada sexo; na cabeça, planos para sair da clínica e passar na loja de roupas de bebê para, enfim, poder comprar um presentinho, já que não havia comprado nada ainda; no coração, uma enorme expectativa de chegar em casa e entregar a Sérgio e as crianças o presente, o cartão e o dvd gravado na consulta que revelara o sexo do nosso terceiro filho.
Apesar do meu pequeno atraso, precisei esperar um pouco mais na recepção, o que é super útil quando se quer colocar a leitura em dia. No início de 2014 ganhamos um livro maravilhoso de um amigo nosso: "O Amor que dá vida", de Kimberly Hahn. Eu simplesmente o engoli! É um livro encantador, de fácil leitura, com testemunhos lindos e arrebatadores. Passado um tempo, percebi que precisava degustá-lo com mais calma. Realmente, ao ler com menos pressa acabei percebendo que deixei passar muita coisa e redescobri sua leitura e me encantei ainda mais.
Nesse dia em especial, consegui ler umas 50 páginas, dentre elas a parte V - A perda da vida: abortos, crianças que nascem mortas, infertilidade e esterilização. As palavras iam entrando na minha cabeça, caminhavam para o meu coração, precisei segurar algumas lágrimas ao imaginar tamanha dor de que passa por situação assim. Gostaria de transcrever alguns trechos que me marcaram:
"A perda de um filho é uma experiência dolorosa. Apesar de serem tantas as famílias que sofreram ao menos um aborto, a tal ponto que se pode dizer que é uma experiência comum, trata-se de uma experiência extremamente pessoal: ' [...] Não há um certificado de óbito, nem consta em nenhum cartório que um filho vosso, alguma vez existiu'."
"Se o objetivo dos pais cristãos é que os filhos vão para o céu, então conseguiram-no com esse filho não nascido"
"Kari, a minha irmã, cita São Mateus 6, 19-21: 'Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde os ladrões furtam e roubam. Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam. Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.' E Kari conclui: 'Os filhos são o único tesouro que podemos ter no céu'."Assim que o capítulo acabou, fui chamada para o exame. Entrei e já no primeiro instante não reconheci o filho que havia visto na última ultrassonografia. Mais alguns segundos e ouvi o médico dizendo: "Não tenho boas notícias". Um buraco se abriu em meu peito e as lágrimas de compaixão que segurei na sala de espera, se transformaram em lágrimas de solidão, uma solidão imensa por saber que não estaria mais acompanhada (como uma amiga gostava de me repetir), uma solidão por não conseguir ver Deus nesta hora. A secretária do médico segurou minhas mãos e me consolou, ele foi muito gentil ao me dar a notícia e se preocupou em ligar no mesmo momento ao meu GO, explicando o que ocorrera: meu bebê morreu por volta da 15ª semana (pela medida do fêmur), apesar de eu já estar de 17 semanas.
Saí da sala de exames e me levaram para um outro consultório para que eu me recuperasse da notícia. Ali liguei para meu marido que, sem entender o que eu tentava falar ao celular, foi correndo me encontrar. Choramos, nos abraçamos, silenciamos... porque nenhuma pergunta teria uma resposta confortadora naquele momento.
Fomos caminhando para o consultório do médico. No meu coração, eu sentia como se fosse uma procissão onde eu carregava ainda em meu ventre meu filho tão amado que agora estava morto. Saímos pela rua, mãos dadas, cabeça baixa, coração doído.
Depois da conversa com o médico para sabermos o que seria feito a partir dali, fomos direto ao hospital. Meu marido me ofereceu chamar um taxi, mas preferi que fôssemos caminhando. Eu precisava desse momento a sós com ele. Assim fomos, andando, limpando as lágrimas, com pouca conversa, com muito amor. E só uma frase pulsava dentro de mim: "Deus deu, Deus tirou. Bendito seja o nome do Senhor" (Jó 1,21)
Naquele mesmo capítulo do livro que citei há um lindo poema de Karen Edmisten (que pode ser lido em seu original aqui) que exprime um pouco do que senti naquele dia:
Disseste que nós teríamos um filho.
E eu, com amor, recebi uma nova vida
e sorri
com cada onda e maré das vertigens matutinas.
Envolvi-me nesse milagre por vir.
"Por Ti, Senhor, disse,
e ofereci cada pequeno incômodo
como um presente para Ti,
sem comparação com o presente da vida
que Tu me davas.
E depois cambaleei,
inconsciente e tremendo
ante a morte do meu bebê.
Estava abandonada.
Nasceu a ira em mim e construí um arrazoado
contra os sinais mal interpretados da Graça.
Estava tão enganada!
"Aqui há um filho", disseste,
e assim o pensei.
Mas os meus braços estão vazios, desesperançados.
Não resta nada da minha confiança
quando escuto a Tua Voz.
Como posso confiar quando estava tão enganada?
Como serei forte de novo?
Paro e volto-me para Ti,
ó antiga Beleza sempre nova...
Peço-te, meu mais confiado e querido Amor,
uma resposta, algum alívio,
um sinal do alto.
Há um silêncio,
e as minhas lágrimas...
Lágrimas do amor dorido de uma mãe.
Então, na tua generosidade,
no teu Amor envolvente,
abraças-me e falas.
As palavras do alto
fluem através do vaso terrenal.
Um homem de Deus
escuta-me
e diz-me que posso - que devo -
atrever-me a confiar, porque tudo é como deve ser.
Este mistério que é meu filho
está nas tuas mãos,
no teu Sagrado Coração.
O papel que eu desempenho
é o de ceder e ser livre.
Quando torno a parar
para rezar,
"Basta-te a minha graça", dizes,
"porque o meu poder
se faz perfeito na fraqueza".
Ouço as palavras uma vez e outra
na minha mente,
como um disco que esquecemos de tirar...
Penetram
no coração da minha dor
e não me deixa outra saída
senão ajoelhar-me
e oferecer-Te o meu filho.
Ó Senhor, cura o meu coração
dorido e gasto,
aperfeiçoa-me na minha fraqueza,
é a minha Pérola de grande valor.
Ainda que Ta ofereça, Senhor,
imperfeita e pobre,
a minha vida é tua.
Que a tua graça me baste."
Chegamos ao hospital e fomos cercados de carinho da família, dos amigos, da equipe que cuidou de mim: enfermeira, técnica de enfermagem e médico. Cuidaram de nós, nos trataram com zelo, não somente com respeito, mas com amor.
Foram tantas mensagens de apoio, de carinho, de compaixão, vindas por todos os lados. Sentimos o quanto somos abençoados e o quanto nosso pequeno José já era tão amado, não só por nós.
Que o Senhor retribua cada oração que fizeram por nossa família.
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| Nosso José com 12 semanas de vida. |
sexta-feira, 15 de abril de 2016
terça-feira, 8 de março de 2016
Criança brinca, mas também reza!
Respondendo hoje a algumas mensagens de minha página, um pai me perguntava como conseguimos fazer os meninos rezarem o terço, ou coisas do tipo. Achei propicio escrever sobre isso. Pois, às vezes, vocês podem ver fotos e videos dos meninos e achar que eles são anjos ou que temos um método especial para fazer meninos de dois e quatro anos ficarem quietinhos prestando atenção nas coisas de Deus. Nossos filhos são crianças normais, correm, pulam, gritam, sobem no braço do sofá, soltam pum, jogam coisas dentro do vaso sanitário ( graças a Deus essa fase passou, mas jogaram), desobedecem, mas logo são corrigidos. Na hora de rezar, eles não ficam paradinhos o tempo todo, levantam, brincam, conversam sobre parquinho, brinquedos, monstros, heróis ou do que for, mas nem por isso deixamos de rezar na presença deles. As crianças aprendem mais com os olhos do que com os ouvidos, e ao nos verem rezando com frequência em nossa casa, no carro, antes das refeições, antes de dormir, ficará gravado no coração deles que rezar é bom, que rezar é importante. As crianças precisam ver o exemplo dos pais, muito mais do que ouvi-los falar que eles precisam ser de Deus, eles precisam ver que os pais se esforçam pra ser de Deus e que isso faz de seus pais pessoas felizes e realizadas. Levamos nossos filhos a missa todos os dias. Tem dias que é uma benção, que os dois estão calmos saímos da Igreja sabendo quais foram as leituras e o Evangelho, mas em outros, é um horror porque estão mais agitados, com sono, cansados, mas não deixamos de levá-los e de corrigi-los sempre que necessário. O método que usamos em nossa casa é o do amor e da disciplina. Os pais não podem ter medo de corrigir seus filhos e corrigir severamente quando for preciso. Os filhos não deixarão de amar os pais por causa de uma correção ou porque precisam ficar um pouco mais quietos por 20 minutos para a oração de um terço em família. Na verdade eles gostam, pois não há nada mais prazeroso pra uma criança do que ver seus pais em paz, na sala de casa, juntos fazendo alguma coisa, ainda que essa atividade seja a oração do terço. Aqui em casa contamos a historia de cada mistério, eles prestam atenção, ficam de olhos e ouvidos atentos na explicação e depois durante as Ave Marias vai depender do animo deles rsrsrs. A semente precisa ser lançada e os frutos virão a seu tempo. Mas criança é criança em todo lugar!
Texto original: Deia
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| João e Clara adorando Jesus Eucarístico |
quarta-feira, 20 de janeiro de 2016
... e 20 de janeiro nunca mais foi o mesmo...
Deus tem compaixão, Deus é misericordioso.
Esse é o significado do nome daquele que chegou há 5 anos e
completou os meus dias.
João chegou de mansinho, desejado, não planejado, numa
gravidez cheia de dores e medos. E chegou num lindo dia, 20 de janeiro de 2011,
dia em que seu pai e eu comemorávamos 15 anos de namoro. E mudou minha
história, meu mundo materno. E manifestou a compaixão e a misericórdia de Deus
na minha vida de uma maneira doce que só ele sabe como ser.
João é assim: menino tímido, mas aberto a quem lhe sorri com
amor no olhar; fala compassada pelo jeito tão sem pressa de ser; bruto nos
socos, mas que se derrete diante do choro (mesmo fingido) da 'vítima'; gosta de
videozinhos no youtube, jogos online, minecraft, mas vira pra mãe e diz:
"quero ficar com você, porque minha família é mais importante que meu
computador"; preocupado em ir à missa todos os domingos (há pouco tempo,
em uma breve viagem, o que mais o afligiu foi estar distante da nossa paróquia
no domingo. Foi lindo ver sua reação quando percebeu que estávamos na casa de
um sacerdote que mora ao lado da igreja e ir à missa não seria um problema);
que não esquece um só dia de rezar pelas almas dos seus avós antes do dormir...
João é encantador, simples, fácil de agradar, conviver e
amar, amar, amar... João é cópia do seu pai! Aquele que, há 20 anos, me deu um
beijo e roubou meu coração. Celebro a bênção de ser mãe de Clara e João porque
Deus colocou no meu caminho um namorado que me leva a descobrir, dia após dia,
a linda vocação a que fui chamada: ser mãe e esposa.
Nunca mais comemoraremos nosso 20 de janeiro da mesma
maneira. Não teremos jantares românticos à luz de velas com música ao fundo.
Nosso dia agora tem bolas e brigadeiros, tem gritos de crianças e correria pra
todo lado. E quem disse que não nos alegramos com isso? E quem aposta que nosso
20 de janeiro é muito mais feliz agora?
Parabéns para nós amor! Obrigada pelos 20 anos de caminhada
juntos.
Parabéns, meu João, pelos seus 5 anos! Parabéns meu
amorzinho, meu homenzinho, que protege a mamãe e confere se fiquei algum dia
sem lhe dizer que o amo, aquele que manifesta a Misericórdia de Deus ao meu
coração simplesmente por existir.
Te amo, Sérgio! Te amo, Clara! Te amo, João!
sábado, 16 de janeiro de 2016
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
Qual é a opção de vida de uma mãe?
“Sim, ser mãe não significa só
trazer um filho ao mundo, mas é também uma opção de vida: o que é que uma mãe
escolhe? Qual é a opção de vida de uma mãe? A opção de vida de uma mãe é a
opção de dar vida. E isto é grande, isto é belo.” Papa Francisco, Audiência Geral, 7 de
janeiro de 2015.
Não me recordo de quando comecei a perceber em mim esse desejo enorme de
ser mãe. Talvez ele esteja em mim desde sempre. Nunca tive grandes pretensões
na vida: viagens, carro do ano, casa deslumbrante, roupas e sapatos... Mas, se
posso dizer algo por qual anseio extraordinariamente, digo: ter filhos!
Você pode estar pensando: “mas ela já os tem!”, e respondo: Sim! Dois
filhos maravilhosos! Esperados, planejados, educados com todo esmero, cuidados
com todo amor, que preenchem não somente nossa casa, mas nossa vida. Somos
felizes? Sim! Nos sentimos completos? Sim! Há espaço para outros? Sim, sim,
sim!!! A cada dia que passa percebo que o antigo ditado “no coração de mãe sempre cabe mais um” é
muito verdadeiro. E digo mais: no coração, na casa, no bolso, na cabeça, na
vida... Essa é minha opção de vida! Dar a vida!!! Dar a minha vida a Deus, aos
irmãos, à minha família. Dar a vida a filhos de Deus confiados a nós para serem
amados e educados segundo Sua Vontade.
Não sou nenhuma heroína. Ao contrário, perco facilmente a paciência,
mimo tanto quanto exijo, não como verduras e legumes para ser o exemplo que
eles precisam ter na alimentação. Sou humana, cheia de defeitos, com algumas
virtudes e posso dizer que a maior delas, sem nenhum constrangimento, é assumir
a maternidade com unhas e dentes. Ser mãe não significa só trazer
um filho ao mundo. Como meu marido uma vez me escreveu (aqui): ter um filho é um acontecimento fundante. Somos viradas e reviradas pelo avesso. Nosso corpo,
nossos sentimentos, nossa vida, nossos planos, nossa alma nunca mais serão os
mesmos. Graças a Deus! Porque ser mãe é um dom e um dom precisa frutificar em
nós, precisa gerar santidade em nós e o caminho que nos leva a santidade é
estreito, com algumas flores à beira, mas com muitas pedras em seu trajeto.
Não quero com essas palavras desestimular as mulheres que
ainda não têm filhos, muito menos dizer que as mães vivem uma vida árdua de
sacrifícios e penitências (se bem que tanto estes como aqueles fazem parte do
cotidiano). Quero ir além! Repito o que o Papa Francisco disse: “isto é grande, isto é belo”! É grande
como o próprio sacramento do matrimônio (cf. Efésios 5, 31-33). É belo porque
não é obra nossa (cf. Salmo 138, 13-14). Ao assumirmos a vocação que nos foi
confiada diante do Altar, a de sermos esposos, assumimos também a condição de
estarmos abertos a vida. Estar aberto a vida é uma luta diária para viver a
essência da vocação matrimonial: doar-se inteiramente ao seu cônjuge e deixar
transbordar, a partir dessa doação, os filhos que o Senhor nos confiar.
Isso é maravilhoso! Não há como ficar indiferente a tamanho
mistério e graça!
Louvo e bendigo a Deus por cada dia em que posso me deleitar
com essa grande graça e peço: “Que tua serva encontre graça diante dos teus
olhos”! Não demores, Senhor, a encher meu coração e meu ventre!
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